segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Transexual Pioneiro

Gostaria de estar presente na posse do transexual Alessandro Sousa Santos, na Câmara Municipal de Salvador, Bahia, para lá testemunhar o clima de respeito. Eleito pelo Partido Republicano, Alessandro é mais conhecido como Léo Kret do Brasil, e irá representar a comunidade LGBT soteropolitana, lutando contra a homofobia e a discriminação.
Para quem ainda desconhece, a sigla GLBT foi substituída pela LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e trangêneros), aprovada na Primeira Conferência Nacional GLBT, realizada em Brasília, em junho de 2008. Conferência convocada por Decreto Presidencial de 28 de novembro de 2007, para propor diretrizes para a implementação de políticas públicas e o plano nacional de promoção da cidadania e direitos humanos do LGBT, avaliando e propondo estratégias para o Programa Brasil Sem Homofobia, iniciativas que visam promover a cidadania a partir da equiparação de direitos e do combate à violência e à discriminação.
As primeiras declarações do vereador Léo Kret do Brasil à imprensa impressionaram: - Quero mostrar a todos que sou transexual e respeitada. Kret carrega uma gigantesca responsabilidade, a de não possibilitar que sua atuação amplie preconceitos e discriminações sobre a comunidade LGBT, ensejando perseguições, humilhações e assassinatos.
Duas observações são necessárias, para esclarecimento dos desavisados: 1. A Classificação Internacional de Doenças (CID) não inclui a homossexualidade como doença desde 1993. A homossexualidade não é uma escolha, a pessoa nasce homossexual; 2. Orientação sexual é a atração afetiva e/ou sexual que uma pessoa sente pela outra. A orientação sexual existe e varia desde a homossexualidade exclusiva até a heterossexualidade exclusiva, passando pelas diversas formas de bissexualidade.
Na Conferência, as propostas dos GTs aprovadas na Plenária Final estavam distribuídas em áreas, favorecendo a implementação do Programa Brasil Sem Homofobia nos três poderes da República. Combatendo inclusive a intolerância religiosa estigmatizadora em diversos aspectos. E ampliando apoios ao PL 297/2008, que possibilita a troca do prenome dos interessados, e ao PL 122/06 que criminaliza a homofobia.
Concordo com o definido em documento específico: “a sexualidade não é sinônimo de coito, sendo uma disposição à experimentar a si mesmo e ao outro segundo o registro do prazer e da criação. Sexualidade é disposição que motiva o contato e a intimidade e se expressa na forma de sentir, de ser, de se relacionar. Sexualidade, portanto, refere-se a uma importante dimensão da experiência humana que está diretamente relacionada ao laço social.”
Para os homofóbicos, uma orientação: “Homofobia é conseqüência direta da hierarquização das sexualidades e do status superior arbitrariamente conferido à heterossexualidade, suposta como natural, em detrimento de outras manifestações e expressões das identidades e das práticas sexuais, tidas como inferiores ou mesmo anormais. A homofobia é um fenômeno que costuma produzir ou se vincular a preconceitos e mecanismos de discriminação, de estigmatização e violência contra pessoas LGBT e, mais genericamente, contra todas as pessoas (inclusive as heterossexuais) cujas expressões de masculinidade e feminilidade não se enquadrem nas normas de gênero, culturalmente estabelecidas. A homofobia, portanto, vai além do grave quadro de hostilidade e violência contra LGBT. Ela desencadeia e realimenta processos discriminatórios, representações estigmatizantes, processos de exclusão, dentre outros, voltados contra tudo aquilo que remeta, direta ou indiretamente, às práticas sexuais e identidades de gênero discordantes do padrão heterossexual e dos papéis estereotipados de gênero.”
Como heterossexual exclusivo e assumido, desejo boa sorte ao vereador Léo Kret do Brasil, na Câmara de Vereadores de Salvador, Bahia.
(Publicada no Portal da Revista ALGOMAIS, Recife, Pernambuco, www.revistaalgomais.com.br)

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