O acontecido numa escola municipal do Recife, dias atrás, é sintoma de uma sociedade que se encontra muito enferma. Um débil mental, desejando inconscientemente ter o mesmo noticiário televisivo de um outro anormal, aquele que sequestrou e matou uma adolescente em São Paulo, resolveu esfaquear a ex-namorada em pleno espaço escolar. Espalhando pânico e terror num ambiente que deveria ser acolhedor por excelência, favorecendo um saber ser na direção de um ter suficiente para uma sobrevivência cidadã.
Alguns quantitativos educacionais, entretanto, revelam o que está acontecendo “por debaixo dos panos”, como diz a música do Ney Matogrosso. E são por demais preocupantes: sete em cada dez brasileiros, de 15 a 19 anos, não possuem condições de conseguir um emprego de bom salário. Reflexo da má qualidade do ensino na América Latina, segundo o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. No Brasil, dois outros indicativos são lastimáveis: 43% dos jovens não possuem ensino fundamental; e dos que concluíram esta faixa de ensino, 50% não lograram aprovação no nível 1, o mais elementar de um exame de leitura.
Será que a precariedade se localiza apenas nos dois primeiros graus de ensino? De jeito maneira!, como diz o nosso homem do campo. Muito recentemente, dois professores titulares da renomada Universidade de São Paulo assim se pronunciaram num artigo de jornal: “No centro nobre da Cidade Universitária instalaram-se pelo menos sete agências bancárias, mas não há um museu de ciências, uma bela livraria, um bom teatro ou cinema. Nem mesmo se instalou a biblioteca Mindlin, cuja doação foi anunciada há cerca de dez anos”. Situações, lá e cá, que apontam para uma degradação do sistema educacional brasileiro, com as cada vez menores exceções que merecem aplausos.
Na opinião de Célio Lasmar, leitor atento, “educação é um assunto deveras relevante, pois a educação é o único processo conhecido para se construir seres humanos úteis, responsáveis e produtivos e que venham a agregar valores e conhecimento à sua sociedade e à espécie humana como um todo”. E foi contundente: “se depender de pesquisas, artigos, e boas intenções de alguns poucos, jamais chegaremos a lugar algum em termos de dar às nossas crianças um ensino de alta qualidade, que venha a formar além de profissionais para o mercado de trabalho, cientistas, pesquisadores, cidadãos de verdade cientes do funcionamento da sociedade, de seus deveres para com ela e de seus direitos diante dela”.
Creio ser chegada a hora de proporcionar uma recuperação para todos os setores educacionais da nossa sociedade, hoje submersa num estupidificante hedonismo individualista. Que a embromação seja combatida, como tudo indica que aconteceu com mais de 600 municípios brasileiros, que elevaram os índices de aprovação na Educação Básica para melhorar ou manter o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, de 2005 a 2007, o desempenho dos alunos em Matemática e Português tendo caído ou sofrido perniciosa estagnação. Segundo o aplaudido professor Mozart Ramos, presidente-executivo do movimento Todos Pela Educação, já foram identificadas as capitais brasileiras onde os valores do IDEB aumentaram, havendo piora no desempenho em Português e Matemática. Uma lição que deve ser apreendida pelos não-demagogos: aprovar não significa que o aluno aprendeu ou que a escola cumpriu sua função de ensinar.
Cobrar responsabilidade de toda a sociedade, eis inadiável tarefa para todos aqueles que desejam ver o país ingressar no rol das nações soberanas.
O tempo urge e os amanhãs já chegaram. A atual crise financeira mundial pode oferecer lições duradouras para os dirigentes educacionais, para os pais conscientes, para as igrejas desalienadas que postulam a libertação do ser humano todo e de todos os seres humanos. Cumprindo-se efetivamente o que estabelece o artigo 32 da LDB e a nossa Constituição, chamada um dia de Cidadã.
(Publicada no site da Revista ALGOMAIS, Recife-PE, www.revistaalgomais.com.br)
Alguns quantitativos educacionais, entretanto, revelam o que está acontecendo “por debaixo dos panos”, como diz a música do Ney Matogrosso. E são por demais preocupantes: sete em cada dez brasileiros, de 15 a 19 anos, não possuem condições de conseguir um emprego de bom salário. Reflexo da má qualidade do ensino na América Latina, segundo o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. No Brasil, dois outros indicativos são lastimáveis: 43% dos jovens não possuem ensino fundamental; e dos que concluíram esta faixa de ensino, 50% não lograram aprovação no nível 1, o mais elementar de um exame de leitura.
Será que a precariedade se localiza apenas nos dois primeiros graus de ensino? De jeito maneira!, como diz o nosso homem do campo. Muito recentemente, dois professores titulares da renomada Universidade de São Paulo assim se pronunciaram num artigo de jornal: “No centro nobre da Cidade Universitária instalaram-se pelo menos sete agências bancárias, mas não há um museu de ciências, uma bela livraria, um bom teatro ou cinema. Nem mesmo se instalou a biblioteca Mindlin, cuja doação foi anunciada há cerca de dez anos”. Situações, lá e cá, que apontam para uma degradação do sistema educacional brasileiro, com as cada vez menores exceções que merecem aplausos.
Na opinião de Célio Lasmar, leitor atento, “educação é um assunto deveras relevante, pois a educação é o único processo conhecido para se construir seres humanos úteis, responsáveis e produtivos e que venham a agregar valores e conhecimento à sua sociedade e à espécie humana como um todo”. E foi contundente: “se depender de pesquisas, artigos, e boas intenções de alguns poucos, jamais chegaremos a lugar algum em termos de dar às nossas crianças um ensino de alta qualidade, que venha a formar além de profissionais para o mercado de trabalho, cientistas, pesquisadores, cidadãos de verdade cientes do funcionamento da sociedade, de seus deveres para com ela e de seus direitos diante dela”.
Creio ser chegada a hora de proporcionar uma recuperação para todos os setores educacionais da nossa sociedade, hoje submersa num estupidificante hedonismo individualista. Que a embromação seja combatida, como tudo indica que aconteceu com mais de 600 municípios brasileiros, que elevaram os índices de aprovação na Educação Básica para melhorar ou manter o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, de 2005 a 2007, o desempenho dos alunos em Matemática e Português tendo caído ou sofrido perniciosa estagnação. Segundo o aplaudido professor Mozart Ramos, presidente-executivo do movimento Todos Pela Educação, já foram identificadas as capitais brasileiras onde os valores do IDEB aumentaram, havendo piora no desempenho em Português e Matemática. Uma lição que deve ser apreendida pelos não-demagogos: aprovar não significa que o aluno aprendeu ou que a escola cumpriu sua função de ensinar.
Cobrar responsabilidade de toda a sociedade, eis inadiável tarefa para todos aqueles que desejam ver o país ingressar no rol das nações soberanas.
O tempo urge e os amanhãs já chegaram. A atual crise financeira mundial pode oferecer lições duradouras para os dirigentes educacionais, para os pais conscientes, para as igrejas desalienadas que postulam a libertação do ser humano todo e de todos os seres humanos. Cumprindo-se efetivamente o que estabelece o artigo 32 da LDB e a nossa Constituição, chamada um dia de Cidadã.
(Publicada no site da Revista ALGOMAIS, Recife-PE, www.revistaalgomais.com.br)

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