A revista Algomais trouxe como reportagem de capa, em seu número de novembro, os 30 anos do Complexo Portuário e Industrial Governador Eraldo Gueiros, mais conhecido e admirado como Porto de Suape. Desenvolvimento, empreendedorismo e criatividade estratégica alavancando atividades que ensejarão a Pernambuco um PIB de R$ 140 bilhões por volta de 2020.
Entretanto, o que mais me sensibilizou na reportagem foi o testemunho de Emílio João Schuler Júnior, o funcionário mais antigo de Suape, advogado formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Emilinho, meu padrinho de casamento há quarenta anos!!
Talento, bom senso e dignidade, misturados a uma imensa dose de comunicação interpessoal, o Emilinho tem uma admirável história de vida, bem antes dos bancos universitários. De pai empresário do ramo de tecidos eternizado em plena fase produtiva, viu-se, como filho mais velho, com a responsabilidade de tocar o barco da casa com a sua mãe, família de cinco pessoas. Dona Conceição gerenciou por anos uma companhia de aviação de nomeada, no Recife. Atualmente residindo na Suiça, tem um filho que é aplaudido pastor, que estava para vir dirigir o Seminário Batista, o da rua do Padre Inglês, seminário de maior biblioteca teológica da região.
Para não atropelar as parcas receitas da casa, o Emilinho se “especializou” no troca-troca do Mercado de São José. Tecidos remanescentes da loja fechada, ternos paternos, relógios semi-novos, entre outras mil e uma peças, eram levados para o mercado, onde pontificava um vende-compra-permuta-e-volta-quanto? que sempre o beneficiava, graças à sua capacidade de, sem perder a ternura jamais, levar vantagem nas negociações. Em papos que muito favoreceram sua profissionalidade futura de excepcional mestre-de-cerimonial, olhos, ouvidos e bigodes sempre atentos. Tudo enturmado numa elegância e bons perfumes calibradores de uma conversa recheada de criatividade e sorrisos marotos, traduzidos em historinhas que não coram frade algum, embora todas engraçadíssimas.
Tenho o Emilinho como um dos tipos inesquecíveis da minha caminhada terrestre. Estudamos juntos na Escola do Tenório, edifício Pirapama, onde algumas vezes por mês lá comparecíamos para tomar contato com as novidades da praça, paulistas, cariocas e estrangeiras. De lá caminhávamos até o Pastel do Japonês, situado no hoje famoso Beco da Fome, onde um pastel-com-carne-e-queijo complementava o somente de carne que tínhamos usufruído minutos antes. Um pastel, o do japonês, que ainda reverencio, almoçando ou jantando na Quina do Futuro, cada vez melhor e mais freqüentada, as saudades do Emilinho emergindo a mais de mil, deixando-me mais próximo dos meus tempos de universidade e de outros “estudos”.
De excelente memória, o Emilinho, hoje, é um milionário de amigos, seus admiradores. Graças a ele, conheci o Caxangá Golf Clube, as peripécias de Mr. Pickwick e as aventuras de Oliver Twist, personagens notáveis de Charles Dickens, além de outras indicações que o espaço não comportaria, tampouco nossa atual serenidade conjugal. Sua predileção era fotografias e equipamentos de equitação. Seu quarto de solteiro era repleto de livros raros, estampas de época, tudo muito supervisionado pela mãe atenta, nunca autoritária, dignidade comportamental para ninguém botar defeito.
Tenho certeza que por esta crônica o Emílio João Schuler Júnior não esperava. Mas eu a fiz, logo após ler seu depoimento sobre Suape, para dar testemunho de uma amizade imorredoura sentida por um padrinho de casamento que sempre se portou como se de mim um irmão de mesmo fosse, sem cavilações nem puritanagens, sendo mestre nas orientações das “agens” que muito contribuíram para o meu caminhar. Uma delas, a risadagem, para ficar numa sem censura. Arma bem utilizada pelos combatentes das lorotagens dos que imaginam o tsumani financeiro mundial uma marolinha. Debilulagem das grandes.
(Artigo publicado no Jornal do Commercio, Recife – PE, 19.11.2008)
Entretanto, o que mais me sensibilizou na reportagem foi o testemunho de Emílio João Schuler Júnior, o funcionário mais antigo de Suape, advogado formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Emilinho, meu padrinho de casamento há quarenta anos!!
Talento, bom senso e dignidade, misturados a uma imensa dose de comunicação interpessoal, o Emilinho tem uma admirável história de vida, bem antes dos bancos universitários. De pai empresário do ramo de tecidos eternizado em plena fase produtiva, viu-se, como filho mais velho, com a responsabilidade de tocar o barco da casa com a sua mãe, família de cinco pessoas. Dona Conceição gerenciou por anos uma companhia de aviação de nomeada, no Recife. Atualmente residindo na Suiça, tem um filho que é aplaudido pastor, que estava para vir dirigir o Seminário Batista, o da rua do Padre Inglês, seminário de maior biblioteca teológica da região.
Para não atropelar as parcas receitas da casa, o Emilinho se “especializou” no troca-troca do Mercado de São José. Tecidos remanescentes da loja fechada, ternos paternos, relógios semi-novos, entre outras mil e uma peças, eram levados para o mercado, onde pontificava um vende-compra-permuta-e-volta-quanto? que sempre o beneficiava, graças à sua capacidade de, sem perder a ternura jamais, levar vantagem nas negociações. Em papos que muito favoreceram sua profissionalidade futura de excepcional mestre-de-cerimonial, olhos, ouvidos e bigodes sempre atentos. Tudo enturmado numa elegância e bons perfumes calibradores de uma conversa recheada de criatividade e sorrisos marotos, traduzidos em historinhas que não coram frade algum, embora todas engraçadíssimas.
Tenho o Emilinho como um dos tipos inesquecíveis da minha caminhada terrestre. Estudamos juntos na Escola do Tenório, edifício Pirapama, onde algumas vezes por mês lá comparecíamos para tomar contato com as novidades da praça, paulistas, cariocas e estrangeiras. De lá caminhávamos até o Pastel do Japonês, situado no hoje famoso Beco da Fome, onde um pastel-com-carne-e-queijo complementava o somente de carne que tínhamos usufruído minutos antes. Um pastel, o do japonês, que ainda reverencio, almoçando ou jantando na Quina do Futuro, cada vez melhor e mais freqüentada, as saudades do Emilinho emergindo a mais de mil, deixando-me mais próximo dos meus tempos de universidade e de outros “estudos”.
De excelente memória, o Emilinho, hoje, é um milionário de amigos, seus admiradores. Graças a ele, conheci o Caxangá Golf Clube, as peripécias de Mr. Pickwick e as aventuras de Oliver Twist, personagens notáveis de Charles Dickens, além de outras indicações que o espaço não comportaria, tampouco nossa atual serenidade conjugal. Sua predileção era fotografias e equipamentos de equitação. Seu quarto de solteiro era repleto de livros raros, estampas de época, tudo muito supervisionado pela mãe atenta, nunca autoritária, dignidade comportamental para ninguém botar defeito.
Tenho certeza que por esta crônica o Emílio João Schuler Júnior não esperava. Mas eu a fiz, logo após ler seu depoimento sobre Suape, para dar testemunho de uma amizade imorredoura sentida por um padrinho de casamento que sempre se portou como se de mim um irmão de mesmo fosse, sem cavilações nem puritanagens, sendo mestre nas orientações das “agens” que muito contribuíram para o meu caminhar. Uma delas, a risadagem, para ficar numa sem censura. Arma bem utilizada pelos combatentes das lorotagens dos que imaginam o tsumani financeiro mundial uma marolinha. Debilulagem das grandes.
(Artigo publicado no Jornal do Commercio, Recife – PE, 19.11.2008)

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