Quando se lê análises de gente talentosa, sem demagogia nem populismos vagabundóides, pode-se ampliar a esperança em nosso futuro nacional, apesar das estrepolias dos mundos financeiros internacionais e dos peritos criminais de mentirinha que são contratados para encobrir façanhas assassinas. Jacques Attali, autor de Uma Breve História do Futuro, editora Novo Século, aponta as onze potências econômicas e políticas que emergirão até 2025: Japão, China, Índia, Rússia, Indonésia, Coréia, Austrália, Canadá, República Sul-Africana, Brasil e México. Mesmo sem relevar as turbulências do capitalismo mundial, que “está submetido às mesmas ameaças que as das formas anteriores: a sua segurança está em perigo, a sua classe criativa não é mais leal, os progressos técnicos industrialmente exploráveis são cada vez mais lentos, a economia é cada vez menos rentável, a especulação financeira cada vez mais desenfreada, as desigualdades se agravam, a raiva grita, um endividamento considerável se desenvolve.”
Sobre os amanhãs, Attali dedica o capítulo final ao Brasil. Ele levanta três hipóteses pelas quais o Brasil nunca conseguiu tornar-se potência: primeira, porque é um país herdeiro de uma história colonial e política atormentada, sempre dominado por proprietários fundiários e castas burocráticas e militares, desligados do desenvolvimento industrial, do lucro, da mobilidade, da inovação e das tecnologias, sempre vivendo na saudade de um passado magnífico. A segunda prende-se à negligência sobre a constituição de uma força naval, uma marinha militar e comercial forte, não atentando para o desenvolvimento portuário, nunca se preparando convenientemente para o retorno do nomadismo. A terceira é por demais dolorosa: o país nunca formou suficientes marinheiros, engenheiros, pesquisadores, comerciantes e industriais, jamais atraindo para seus rincões cientistas, financistas, empreendedores qualificados, “hoje se encontrando gangrenado pela máfia, pela corrupção, pela prostituição e pelas drogas”. E diz ainda: “um crescimento mais rápido do Brasil depende da sua capacidade de consolidar sua estabilidade monetária, sanear duradouramente as suas finanças públicas, implantar um ambiente fiscal favorável aos investimentos privados, desenvolver a sua indústria de exportação, melhorar a qualidade do seu sistema educacional e reformar um setor público obsoleto e corrompido que impede sua competitividade”.
Attali declara que “o Brasil nunca se tornou uma potência porque não soube, em momento algum, obedecer às leis da história do futuro”. E dá um balizamento: “o futuro do Brasil dependerá de agora por diante da maneira pela qual ele conseguir curvar-se às regras do sucesso: criar uma Estado sólido, um Estado justo, uma democracia transparente, criar um meio-ambiente relacional, suscitar um desejo de um destino comum, favorecer a mais livre criação, construir um grande porto e uma grande praça financeira, formar equitativamente os cidadãos nos saberes novos, desenvolver maciçamente os seus laboratórios de pesquisa, a sua capacidade florestal, o seu sistema financeiro, a sua indústria agro-alimentícia, as energias de substituição, dominar as tecnologias do futuro, elaborar uma geopolítica e fazer as alianças necessárias”.
A ampliação da inteligência da classe política brasileira, atualmente em patamar dinossáurico, para aqui não ofender os nossos parentes primatas, está diretamente relacionada com a ampliação da cidadania pátria, única capaz de favorecer a emersão de uma inteligência coletiva, muitos furos acima da simples soma das inteligências dos humanos.
A lição última: “o bem comum da humanidade será ainda maior, na medida em que um número maior de humanos tiver acesso aos bens essenciais”.
PS. Também recomendável ler Karl Marx ou o Espírito do Mundo, de Attali. Pra evitar as bobajadas esquerdeiras.
Sobre os amanhãs, Attali dedica o capítulo final ao Brasil. Ele levanta três hipóteses pelas quais o Brasil nunca conseguiu tornar-se potência: primeira, porque é um país herdeiro de uma história colonial e política atormentada, sempre dominado por proprietários fundiários e castas burocráticas e militares, desligados do desenvolvimento industrial, do lucro, da mobilidade, da inovação e das tecnologias, sempre vivendo na saudade de um passado magnífico. A segunda prende-se à negligência sobre a constituição de uma força naval, uma marinha militar e comercial forte, não atentando para o desenvolvimento portuário, nunca se preparando convenientemente para o retorno do nomadismo. A terceira é por demais dolorosa: o país nunca formou suficientes marinheiros, engenheiros, pesquisadores, comerciantes e industriais, jamais atraindo para seus rincões cientistas, financistas, empreendedores qualificados, “hoje se encontrando gangrenado pela máfia, pela corrupção, pela prostituição e pelas drogas”. E diz ainda: “um crescimento mais rápido do Brasil depende da sua capacidade de consolidar sua estabilidade monetária, sanear duradouramente as suas finanças públicas, implantar um ambiente fiscal favorável aos investimentos privados, desenvolver a sua indústria de exportação, melhorar a qualidade do seu sistema educacional e reformar um setor público obsoleto e corrompido que impede sua competitividade”.
Attali declara que “o Brasil nunca se tornou uma potência porque não soube, em momento algum, obedecer às leis da história do futuro”. E dá um balizamento: “o futuro do Brasil dependerá de agora por diante da maneira pela qual ele conseguir curvar-se às regras do sucesso: criar uma Estado sólido, um Estado justo, uma democracia transparente, criar um meio-ambiente relacional, suscitar um desejo de um destino comum, favorecer a mais livre criação, construir um grande porto e uma grande praça financeira, formar equitativamente os cidadãos nos saberes novos, desenvolver maciçamente os seus laboratórios de pesquisa, a sua capacidade florestal, o seu sistema financeiro, a sua indústria agro-alimentícia, as energias de substituição, dominar as tecnologias do futuro, elaborar uma geopolítica e fazer as alianças necessárias”.
A ampliação da inteligência da classe política brasileira, atualmente em patamar dinossáurico, para aqui não ofender os nossos parentes primatas, está diretamente relacionada com a ampliação da cidadania pátria, única capaz de favorecer a emersão de uma inteligência coletiva, muitos furos acima da simples soma das inteligências dos humanos.
A lição última: “o bem comum da humanidade será ainda maior, na medida em que um número maior de humanos tiver acesso aos bens essenciais”.
PS. Também recomendável ler Karl Marx ou o Espírito do Mundo, de Attali. Pra evitar as bobajadas esquerdeiras.
(Publicado no Jornal do Commercio, Recife - Pernambuco, 05.11.2008)

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