segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Educação em Direitos Humanos

Recentemente, mais uma denúncia nas páginas dos principais jornais brasileiros. Maus tratos e humilhações em seres humanos indefesos, praticadas por animalescos policiais militares. Que não foram devidamente capacitados em suas respectivas corporações, desconhecendo por completo uma reflexão feita pelo subcomandante Marcos, do Exército Zapatista, em 2001, aqui transcrita para todos os leitores deste Portal: “A Dignidade exige que sejamos nós mesmos. Mas a Dignidade não é somente que sejamos nós mesmos. Para que haja Dignidade é necessário o outro. E o outro só outro na relação conosco. A Dignidade é então um olhar. Um olhar a nós mesmos que também se dirige ao outro olhando-se e olhando-nos. A Dignidade é então reconhecimento e respeito. Reconhecimento do que somos e respeito a isto que somos, sim, mas também reconhecimento do que é o outro e respeito ao que ele é. A Dignidade então é ponte e olhar e reconhecimento e respeito. Então a Dignidade é o amanhã. Mas o amanhã não pode ser se não é para todos, para os que somos nós e para os que são outros. A Dignidade é então uma casa que nos inclui e inclui o outro. A Dignidade é uma casa de um só andar, onde nós e o outro temos nosso próprio lugar, isto e não outra coisa é a vida, e a própria casa. Então a Dignidade deveria ser o mundo, um mundo que tenha lugar para muitos mundos. A Dignidade então ainda não é. Então a Dignidade está por ser. A Dignidade então é lutar para que a Dignidade seja finalmente o mundo. Um mundo onde haja lugar para todos os mundos. Então a Dignidade é e está por construir. É um caminho a percorrer. A Dignidade é o amanhã”.
Para compreendermos com seriedade o movimento dos zapatistas, alguns dados se fazem necessários: enquanto o México se desenvolveu, a região indígena de Chiapas continuou parada durante décadas. As crianças ainda morrem de disenteria; o estado tem sete quartos de hotel para cada habitante, enquanto os leitos de hospital são apenas 0,4 para cada residente; enquanto Chiapas é o terceiro produtor nacional de energia elétrica e o primeiro em hidroenergia, só um terço das casas indígenas tem luz; a cada 35 minutos uma pessoa morre de fome; de cada 100 moradores, 54 são desnutridos. O jornalista Igor Fuser, México em transe, retrata os índios mexicanos: "são menos do que um negro no sul dos Estados Unidos antes de Martin Luther King e menos do que um operário nordestino nas alamedas perfumadas dos Jardins, o reduto da elite paulistana".
A Educação em Direitos Humanos exige que se alerte sobre as conseqüências políticas e sociais da atual globalização: menos pessoas com mais riquezas, produzidas com a exploração de mais pessoas com menos riquezas. Em outras palavras: "a pobreza do nosso século não é comparável a nenhuma outra. Não é, como já foi alguma vez, o resultado natural da escassez, mas o conjunto de prioridades impostas pelos ricos ao resto do mundo".
Aos que trabalham na Educação dos Direitos Humanos, devem ser ressaltadas as características da globalização: supremacia do poder financeiro, guerra, destruição/despovoamento, ataques aos Estados Nacionais, mercado como figura hegemônica que atravessa todos os aspectos da vida humana em todas as partes, maior concentração de riqueza em poucas mãos, maior distribuição de pobreza, aumento da exploração e do desemprego, milhões de pessoas sem moradia, delinqüência nas esferas públicas, entre outras mazelas.
Uma nova geração de cabeças pensantes se torna indispensável. Um dia, alguém escreveu: “A hora de voltar a travar o bom combate é chegada. O desânimo cívico acarretará conseqüências desagradáveis para todo mundo. A erosão da credibilidade não beneficiará ninguém. O momento está a exigir grandeza. E renúncia dos que ainda não se entrosaram eficazmente, para que a região possa reencontrar a sua história, sempre almejando possuir as duas mãos e o sentimento do mundo.”
É chegada a hora da reconstrução mundial em todos os quadrantes.
(Publicado no Portal da Globo Nordeste, Recife, PE, http://pe360graus.globo.com)

Nenhum comentário: