domingo, 31 de agosto de 2008

A Essência da Oração

O meu amigo frei Betto, uma admiração de muitos anos por mim sentida, costuma afirmar que devemos ter, quando diariamente oramos, um relacionamento cada vez mais amadurecido com o Criador. E repete, de vez em quando, que “a fé cristã não admite a derrota da vida pela morte”.
Outro dia, em Brasília, Priscila Gontijo, uma adolescente de 13 anos, soropositiva, escreveu uma poesia-lição para todo os seus colegas de escola: “Vivo, logo existo / A morte não tem nada a ver / A morte é pra ser vivida / E a vida para reviver”.
Lembremo-nos sempre que a mais desafiadora das práticas religiosas é a da gratuidade amorosa. Deixar que Deus fale em nós, através do Espírito Santo, eis a magnífica lição que o apóstolo Paulo nos deixou (Rm 8, 26-27).
Algumas “regrinhas”, entretanto, necessitam ser seguidas por todos aqueles que, pela oração, nunca desanimam, jamais esmorecendo diante dos tropeços, desilusões e desesperanças, eliminando amuletos, pirâmides, talismãs e fetiches que apenas iludem, nada edificando na direção do Criador. Ei-las: 1. Orar é estar disposto a “perder tempo”, sem nada temer; 2. A oração só acontece quando se está convicto, sem qualquer esforço mental, da presença infinita de Deus; 3. Através da oração, adequamos nossa vontade à vontade de Deus; 4. Oração é uma referência a Deus presente em nossa vida, podendo ser litúrgica, recitativa, meditativa, intuitiva ou simples atenção n’Aquele que é a raiz de todo ser humano e o sentido último de nossa existência; 5. Orando, sempre entender que a presença de Deus mais se expande quanto mais recolhidos estivermos.
Conviver com pessoas amadas é também uma forma de oração. De agradecer ao Pai por ela existir. Uma oração que se pode vivenciar todas as horas, numa iluminação recíproca muito abençoada.
Rev. Fernando Antônio Gonçalves
(Publicado no site da Catedral Anglicana da Santíssima Trindade, Recife-Pernambuco)

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