quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Carta-Desabafo

Do jeito que recebi, transcrevo, abaixo, a carta sem identificação que me foi enviada por uma professora primária do interior do Brasil, acerca das últimas pesquisas educacionais, reportagem contida na revista VEJA desta semana, nas bancas.
Presado Profeçor: Com muita sem-grassa, inda atonteada com os rezultados da pesquiza dos primêro e segundo grals, valo-me da presente para espreçar a minha pró-funda preoculpassão com o qui vai acontecê com a mininada do depôs do oje brasilêro. Obiservo muinta gente uzando a inducação para sobidas nas caderas politicas, deixando os que ficam desinducados sem cualquer dereito a ter uma remonerassão decente, num local de trabalho díguino. Sem inducação compreta em conta, letra e instruturas do saber, a gente não ficará mais melhor na crassificassão mundial de conpetitividade, atualmente no trigézimo primero lugar, apezar de sêrmos crassificado entre as 14 maiores enconomias do praneta. O rezultado é que ficamos andando pratrás, qui nem siri, sem que se tome uma providença de arromba pela corrussão desimbestada de muitos, incrusive nas ingrejas. Precizamos de munta vergônia na cara e justissa de boa qualidade para botar os mais sabidórios no chilindró um bucado de tempos, sejam eles de palitol e gravata, ou de farda, batina e enchada. Bandido, no meu modo de vê, num é só aquele que se veste mal, mais todo aquele que bota a mão onde num é devido, os dinhêros sendo do povo. O ministéro púbrico carece de mais apoio pra denunciá bandidões e bandidinhos, tudo sem dereito a sela especiar. Qui aparessa uma entidade qui desenrole uma Frente Nacionau por uma Inducação Populá de Boa Coalidade, a favorecê os menos apetrexados, os que poçuem intelijênça mais num disponhem de suspensóro financêro, evitando que o Brasil si derrote por ele mêrmo no palco do mundo. Que Deus ilumine bem munto o noço paíz, fasendo com que ele comsiga enjaulá os sabidos di sempre.Um abrasso bem brasilêro. Otilha.
Um grande e carinhoso abraço, dona Otilha. Seu desabafo, entregue anonimamente na portaria do condomínio, me deixou por demais esperançoso num Brasil diferente daqui pra frente, revalorizado através de uma educação fundamental nunca de mentirinha, de boa qualidade. Os prédios de fino acabamento complementando a totalidade dos professores sem remunerações humilhantes, bibliotecas reais e virtuais de grande valia, direitos e deveres sendo do conhecimento pleno da comunidade, o corporativismo messiânico sendo posto de quarentena através de uma ampla respeitabilidade recíproca das partes envolvidas, sem embromações nem chafurdos de vil categoria.
Um sistema educacional que se deseja ver respeitado nas pesquisas e levantamentos feitos por organismos nacionais e estrangeiros necessita saber implementar os cinco processos de um modelo de gestão do conhecimento, observadas logicamente as complexidades e nuanças de cada um dos seus subsistemas. Os processos são os seguintes, sempre em causação circular: Mapear, Gerar, Disseminar, Usar/Assimilar, Manter.
Num contexto cada vez mais pós-moderno, onde os ontens não mais retornarão, torna-se estratégia fundamental perceber, além das pedras do caminho do Carlos Drummond de Andrade, as areias movediças que asfixiam até os de boa vontade, incluindo os que se aferram a parâmetros de há muito inexistentes. O vexatório desempenho olímpico do Brasil em Pequim 2008 amplificou para todo o planeta a real situação da nossa juventude.
Pedra, cal, tecnologia e utensílios são insumos excelentes, muito embora o mais fundamental deles seja ainda o trinômio conhecimento x dedicação x dignidade salarial, uma argamassa que catapulta talentos, iniciativas e cidadania, desalojando da passarela os que apenas mostram corpos sarados, renegando os neurônios da criatividade. Possibilitando um existir cidadão que favoreça uma criticidade que defenestre, sem contemplações, arroteiros e embromadores, nepotistas e oportunistas, que se imaginam sempre a salvo pelo uso continuado de deslavadas posturas fingidas.

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