Confesso satisfação ao ler artigo do sociólogo, cientista político e escritor Hélio Jaguaribe intitulado No Limiar do Século 21, sábado desses. Fundador do ISEB – Instituto Superior de Estudos Brasileiros, professor de Harvard, Stanford e do MIT – Massachusetts Institute of Technology, atualmente Decano do Instituto de Estudos Políticos e Sociais da Universidade Cândido Mendes. Lucidez plena, 85 anos.
No artigo, três tipos de problemas: os relacionados com o Brasil, os vinculados ao mundo e os do ser humano. Os do Brasil são três: integração nacional e continental, desenvolvimento geral e modernização tecnológica. Os mundiais também são três: desenvolvimento das regiões atrasadas, instituição de um modelo razoável de ordenação internacional e ajustamento da civilização industrial às condições de sua sustentabilidade no planeta. E os dos seres humanos estão também correlacionados à erosão das convicções religiosas, seqüela das aversões estupidificantes do Cristianismo para com as evoluções científicas desenvolvidas a partir de Descartes.
O professor Jaguaribe revela que apenas um terço da população brasileira se encontra em condições compatíveis às de um país europeu, a educação sendo nosso calcanhar de Aquiles. Com uma universalização da educação básica ainda a merecer múltiplas superações, tamanha a quantidade de furos a serem vencidos por programas nunca assistencialistas.
A emersão de um novo humanismo, segundo o autor de Um Estudo Crítico da História, é imperativo em nossa atual conjuntura mundial, quando se constata que “a Terra não é mais o inesgotável e permanente suporte da vida humana”, devendo ser “judiciosa e cuidadosamente administrada”. Segundo o cientista, “o destino do homem deixou de depender dos deuses e da suposta inesgotabilidade da natureza e passou a depender, integralmente, de um apropriado comportamento do próprio homem”. E em relação ao Brasil, uma resposta dada em entrevista é consistente: “Temos um sistema político clientelista, não somos uma verdadeira democracia. Dentro de uma democracia clientelista, é muito difícil ter um estado eficiente.” E foi além: “Na medida em que não existe um bloco programático consistente, o governo é obrigado a costurar alianças espúrias, sob pena de não poder governar. O problema brasileiro passa por aí.”
Saibamos, apesar de todos os senões existenciais, ser radicalmente humanistas, fiéis seguidores de alguns “mandamentos”: 1. Que a produção atenda às reais necessidades do povo, jamais servindo apenas às exigências do sistema econônico; 2. Que a relação entre as pessoas seja de colaboração, nunca de exploração; 3. Que o antagonismo dê vez a solidariedade; 4. Que se empenhe pelo consumo adequado: 4. Que as organizações sociais tenham por objetivo o bem-estar humano; 5. Que todos sejam, na vida social, participantes ativos.
O palmarense Luiz Berto, autor do muito aplaudido O Romance da Besta Fubana, está coberto de razão: “humildade demais não faz bem ao caráter de um cidadão decente”. Principalmente quando a tal humildade apenas é fantasia escolhida por espertalhões moralistas e puritanosos para engabelar os desligadões de todos os matizes.
O mundo já percebeu que a lição religiosa que nos transmitiram – sofrer bem muito por aqui, para ganhar o reino depois do passamento – foi ensinamento anti-evangélico repassado aos longo dos séculos para perpetuar dominações e aprimorar o abestalhamento de milhões. E o planeta está há muito tempo de olho pregado nos “sabidos e sabidões”, naqueles metidos a “ispecialista” do tipo que cascavilha “as consequências ambientais provocadas pelos resíduos quantitativos das dobras intestinais dos cupins machos do semi-árido nordestino, área urbana”. O resto que se danando fique, findando sempre do jeito que está.
(Publicado no Jornal do Commercio, Recife - Pernambuco)
No artigo, três tipos de problemas: os relacionados com o Brasil, os vinculados ao mundo e os do ser humano. Os do Brasil são três: integração nacional e continental, desenvolvimento geral e modernização tecnológica. Os mundiais também são três: desenvolvimento das regiões atrasadas, instituição de um modelo razoável de ordenação internacional e ajustamento da civilização industrial às condições de sua sustentabilidade no planeta. E os dos seres humanos estão também correlacionados à erosão das convicções religiosas, seqüela das aversões estupidificantes do Cristianismo para com as evoluções científicas desenvolvidas a partir de Descartes.
O professor Jaguaribe revela que apenas um terço da população brasileira se encontra em condições compatíveis às de um país europeu, a educação sendo nosso calcanhar de Aquiles. Com uma universalização da educação básica ainda a merecer múltiplas superações, tamanha a quantidade de furos a serem vencidos por programas nunca assistencialistas.
A emersão de um novo humanismo, segundo o autor de Um Estudo Crítico da História, é imperativo em nossa atual conjuntura mundial, quando se constata que “a Terra não é mais o inesgotável e permanente suporte da vida humana”, devendo ser “judiciosa e cuidadosamente administrada”. Segundo o cientista, “o destino do homem deixou de depender dos deuses e da suposta inesgotabilidade da natureza e passou a depender, integralmente, de um apropriado comportamento do próprio homem”. E em relação ao Brasil, uma resposta dada em entrevista é consistente: “Temos um sistema político clientelista, não somos uma verdadeira democracia. Dentro de uma democracia clientelista, é muito difícil ter um estado eficiente.” E foi além: “Na medida em que não existe um bloco programático consistente, o governo é obrigado a costurar alianças espúrias, sob pena de não poder governar. O problema brasileiro passa por aí.”
Saibamos, apesar de todos os senões existenciais, ser radicalmente humanistas, fiéis seguidores de alguns “mandamentos”: 1. Que a produção atenda às reais necessidades do povo, jamais servindo apenas às exigências do sistema econônico; 2. Que a relação entre as pessoas seja de colaboração, nunca de exploração; 3. Que o antagonismo dê vez a solidariedade; 4. Que se empenhe pelo consumo adequado: 4. Que as organizações sociais tenham por objetivo o bem-estar humano; 5. Que todos sejam, na vida social, participantes ativos.
O palmarense Luiz Berto, autor do muito aplaudido O Romance da Besta Fubana, está coberto de razão: “humildade demais não faz bem ao caráter de um cidadão decente”. Principalmente quando a tal humildade apenas é fantasia escolhida por espertalhões moralistas e puritanosos para engabelar os desligadões de todos os matizes.
O mundo já percebeu que a lição religiosa que nos transmitiram – sofrer bem muito por aqui, para ganhar o reino depois do passamento – foi ensinamento anti-evangélico repassado aos longo dos séculos para perpetuar dominações e aprimorar o abestalhamento de milhões. E o planeta está há muito tempo de olho pregado nos “sabidos e sabidões”, naqueles metidos a “ispecialista” do tipo que cascavilha “as consequências ambientais provocadas pelos resíduos quantitativos das dobras intestinais dos cupins machos do semi-árido nordestino, área urbana”. O resto que se danando fique, findando sempre do jeito que está.
(Publicado no Jornal do Commercio, Recife - Pernambuco)

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