Confesso que me senti inquieto quando terminei a leitura do livro O Segredo, da Rhonda Byrne, um notável sucesso de venda mundo afora. Um livro bem estruturado, com a Lei da Atração esmiuçada em múltiplos depoimentos e resumos, numa editoração ouro de lei.
Como um terceiromundista, sem muitas assimilações globais, senti no livro a ausência de algo mais, de um plus que possibilitasse um ajuste entre a Lei da Atração lá proposta e aquilo que o rabino Jesus transmitiu em sua passagem terrestre, seguramente o que não se encontra de todo compreendido pela ortodoxia cristã a seu respeito.
Quando da leitura da última página de O Segredo, senti falta de alguma coisa parecida com a afirmação do físico e cientista brasileiro Marcelo Gleiser, autor de um recente Cartas a um Jovem Cientista, Campus, 2007, quando ele declara que “não há contradição entre ser religioso e ser cientista”. Gleiser propõe, diante dos dilaceramentos entre fanáticos fiéis e ateus sectários, simplesmente a celebração da vida. Cada um respeitando as convicções evolucionais dos demais.
Um livro pequeno, tornado público em 2004 e também chamado O Segredo, me chamou a atenção meses atrás, no aeroporto de São Paulo. E a leitura de suas pouco mais de cem páginas, editadas com simplicidade, me proporcionou uma “complementação d’alma”, parafraseando o Fernando Pessoa, que ensinava “Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, o grão-mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos: a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania”.
De autoria de Michael Berg, O Segredo nos revela que a sua Lei Maior é saber compartilhar. E ele mesmo afirma que “o compartilhar se tornará mais fácil se você estiver consciente da verdadeira meta para a qual estão voltadas todas as mudanças positivas”, ressaltando que não se trata de qualquer clichê de auto-ajuda.
Em outro livro, Como Tornar-se como Deus, Rocco, 2007, o Michael Berg conta a historinha de um príncipe que morava num palácio imenso, repleto de tesouros por todos os ambientes mas incrivelmente às escuras, posto que as janelas estavam trancadas e lacradas, o interior do palácio em total escuridão. Até que um dia, um simples faxineiro armou-se de uma libertadora coragem e sugeriu ao príncipe a abertura das janelas. E foi então que o príncipe percebeu que a beleza e a claridade estavam por toda parte, sempre ao seu alcance. Ele é que tinha sido incapaz de percebê-las até o momento da abertura das janelas pelo servente.
Creio que o compartilhar pode ser bem assimilado através da notável figura de Albert Einstein, para quem “ninguém consegue ler o Evangelho sem sentir a presença real de Jesus. A personalidade dele pulsa em cada palavra. Nenhum mito tem tanta vida assim!!”
Certa feita, em abril de 1930, a Orquestra Filarmônica de Berlim dava um concerto. Ao final do programa, a platéia aplaudiu estrondosamente a orquestra. E Einstein abraçou calorosamente o solista Yehudi Menuchin dizendo: “Agora sei que existe um Deus no céu!!”
O segredo do compartilhar pode ser percebido mais concretamente através da análise de dois episódios de uma mesma época. Uma, a resposta alegórica de Einstein para definir Deus: “Não sou ateu e nem creio que possa me chamar de panteísta. Estamos na situação de uma criança que entra numa imensa biblioteca, repleta de livros em muitas línguas. A criança sabe que alguém escreveu aqueles livros, mas não sabe como. ... Essa, ao que me parece, é a atitude até mesmo do mais inteligente dos seres humanos diante de Deus”.
A outra banda, a idiótica: em 1929, o cardeal O’Connell, arcebispo de Boston, advertia os membros do Clube Católico Americano da Nova Inglaterra a não lerem nada sobre a Teoria da Relatividade, pois ela era “uma especulação confusa, que produz a dúvida universal sobre Deus e sua Criação”. Uma bobajada somente superada pelo Vaticano, dias atrás, quando proclamou mais uma relação de pecados, agora coletivizados.
PS. Para Dom Jubal Neves, bispo anglicano de Santa Maria, que um dia me presenteou com A Metáfora do Deus Encarnado, de John Hick, uma edição Vozes. Uma releitura saudável do cristianismo, a partir da figura notável do Homão de Nazaré.
Como um terceiromundista, sem muitas assimilações globais, senti no livro a ausência de algo mais, de um plus que possibilitasse um ajuste entre a Lei da Atração lá proposta e aquilo que o rabino Jesus transmitiu em sua passagem terrestre, seguramente o que não se encontra de todo compreendido pela ortodoxia cristã a seu respeito.
Quando da leitura da última página de O Segredo, senti falta de alguma coisa parecida com a afirmação do físico e cientista brasileiro Marcelo Gleiser, autor de um recente Cartas a um Jovem Cientista, Campus, 2007, quando ele declara que “não há contradição entre ser religioso e ser cientista”. Gleiser propõe, diante dos dilaceramentos entre fanáticos fiéis e ateus sectários, simplesmente a celebração da vida. Cada um respeitando as convicções evolucionais dos demais.
Um livro pequeno, tornado público em 2004 e também chamado O Segredo, me chamou a atenção meses atrás, no aeroporto de São Paulo. E a leitura de suas pouco mais de cem páginas, editadas com simplicidade, me proporcionou uma “complementação d’alma”, parafraseando o Fernando Pessoa, que ensinava “Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, o grão-mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos: a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania”.
De autoria de Michael Berg, O Segredo nos revela que a sua Lei Maior é saber compartilhar. E ele mesmo afirma que “o compartilhar se tornará mais fácil se você estiver consciente da verdadeira meta para a qual estão voltadas todas as mudanças positivas”, ressaltando que não se trata de qualquer clichê de auto-ajuda.
Em outro livro, Como Tornar-se como Deus, Rocco, 2007, o Michael Berg conta a historinha de um príncipe que morava num palácio imenso, repleto de tesouros por todos os ambientes mas incrivelmente às escuras, posto que as janelas estavam trancadas e lacradas, o interior do palácio em total escuridão. Até que um dia, um simples faxineiro armou-se de uma libertadora coragem e sugeriu ao príncipe a abertura das janelas. E foi então que o príncipe percebeu que a beleza e a claridade estavam por toda parte, sempre ao seu alcance. Ele é que tinha sido incapaz de percebê-las até o momento da abertura das janelas pelo servente.
Creio que o compartilhar pode ser bem assimilado através da notável figura de Albert Einstein, para quem “ninguém consegue ler o Evangelho sem sentir a presença real de Jesus. A personalidade dele pulsa em cada palavra. Nenhum mito tem tanta vida assim!!”
Certa feita, em abril de 1930, a Orquestra Filarmônica de Berlim dava um concerto. Ao final do programa, a platéia aplaudiu estrondosamente a orquestra. E Einstein abraçou calorosamente o solista Yehudi Menuchin dizendo: “Agora sei que existe um Deus no céu!!”
O segredo do compartilhar pode ser percebido mais concretamente através da análise de dois episódios de uma mesma época. Uma, a resposta alegórica de Einstein para definir Deus: “Não sou ateu e nem creio que possa me chamar de panteísta. Estamos na situação de uma criança que entra numa imensa biblioteca, repleta de livros em muitas línguas. A criança sabe que alguém escreveu aqueles livros, mas não sabe como. ... Essa, ao que me parece, é a atitude até mesmo do mais inteligente dos seres humanos diante de Deus”.
A outra banda, a idiótica: em 1929, o cardeal O’Connell, arcebispo de Boston, advertia os membros do Clube Católico Americano da Nova Inglaterra a não lerem nada sobre a Teoria da Relatividade, pois ela era “uma especulação confusa, que produz a dúvida universal sobre Deus e sua Criação”. Uma bobajada somente superada pelo Vaticano, dias atrás, quando proclamou mais uma relação de pecados, agora coletivizados.
PS. Para Dom Jubal Neves, bispo anglicano de Santa Maria, que um dia me presenteou com A Metáfora do Deus Encarnado, de John Hick, uma edição Vozes. Uma releitura saudável do cristianismo, a partir da figura notável do Homão de Nazaré.

Um comentário:
Achei o texto muito interessante, e já havia lido essa citação de Einstein sobre Jesus, mas gostaria de saber qual a origem dessa citação, e como podemos ter certeza que é de fonte segura e se ele realmente disse isso?
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