No final de março passado, participei, na Capital Federal, do XXVI Concílio da Diocese Anglicana de Brasília, atendendo fraternal convite do Bispo Primaz Dom Maurício Andrade, um pastor vocacionado para a liderança. E através do texto Motivação e Liderança numa Igreja Missionária, inseri-me num debate enriquecedor com a militância da DAB, balizando-me numa fala do Pe. Antônio Vieira de 1655, no Sermão da Sexagésima: “As palavras sem obras são como tiro sem bala; atroam, mas não ferem. A funda de Davi derrubou o gigante, mas não o derrubou com o estalo, senão com a pedra”.
No segmento “posturas que comprometem uma caminhada evangelizadora”, as que despertaram mais atenção da assembléia foram: Evangelização voltada para o passado, enfatizando a subserviência e a memorização; Valorização da incompetência, da ignorância e da incapacidade analítica, desprezados os necessários incentivos aos talentosos; Menosprezo pelo auto-conhecimento; Obediência, passividade, dependência e conformismo; Abandono da imaginação e da fantasia; Descaso pelo cultivo de uma visão otimista dos futuros, sem hipocrisias nem messianismos; Autoritarismo travestido do binômio puritanismo x moralismo.
Na parte última do debate foram escolhidas as recomendações que o Homão de Nazaré nos transmitiria, hoje, se voltasse a conviver conosco: Imagine-se sobrepairando sobre as mediocridades do cotidiano; Desenvolva sua espiritualidade, nunca se imaginando superior a ninguém; Experimente tudo e fique com o que é bom; Ame com intensidade todas as coisas, desprezando o julgamento dos medíocres, encapuzados e encapsulados; Veja-se sempre bonito, mesmo que diante das intempéries naturais da Vida; Reserve momentos para seu lazer; Diferencie, sem pestanejar, serenidade de passividade; Viva pra servir, posto que tem muita gente necessitando dos seus esforços; Fortaleçam um cristianismo que ultrapasse “o cristianismo”; Antes dos manuais, os manuéis; Chegar tarde para fazer a mesma coisa é sinônimo de derrota; Todo cuidado é pouco com as nostalgias não-curadas de desempenhos mal sucedidos; Tente sempre alcançar as estrelas, pois nunca enfiará a mão na lama; Imagine-se sempre nunca-realizadoentronizado; A hora de reinventar-se já chegou; Lembre-se sempre de quatro complicadores fatais: a ausência de uma fascinação pelo futuro, a arrogância, a cultura de fingimento e o azedume.
Durante o XXVI Concílio foi aplicado um pequeno questionário, coletando propostas e anseios para um cada vez mais proveitoso desempenho de clérigos e leigos diocesanos, as respostas advindo sob três tipos de olhar: o olhar para dentro, o olhar para fora e o olhar para cima. Após apuração, a tabulação será enviada ao Bispo Primaz, com uma sucinta análise deste observador também anglicano, embora não-integrante da DAB.
Voltei de Brasília entusiasmado com o desempenho da Igreja Anglicana na Capital Federal, sob a batuta de Dom Maurício Andrade, liderança executiva e também pastoral. Sem ânsias de erudição, ele bem compreende as posturas que fragilizam uma estratégia episcopal: Evangelização voltada para o passado, enfatizando a subserviência e a memorização; Práticas pastorais que admitem apenas uma única resposta, cultivando-se o medo do erro e do fracasso; Valorização da incompetência, da ignorância e da incapacidade analítica, desprezados os necessários incentivos aos talentos de cada um; Menosprezo pelo auto-conhecimento; Desenvolvimento de habilidades limitadas; Obediência, passividade, dependência e conformismo; Abandono da imaginação e da fantasia; Descaso pelo cultivo de uma visão otimista dos futuros, sem hipocrisias nem messianismos; Conservadorismo passivo.
Na sua fala final, ressaltou Dom Maurício Andrade o significado do que disse, um dia, Dom Hélder Câmara, ex-arcebispo de Olinda e Recife, um dos maiores propulsores de uma Igreja Missionária comprometida com a libertação integral do Ser Humano: “Que importa que ao chegar eu nem pareça pássaro. / Que importa que ao chegar eu venha me arrebentando, caindo aos pedaços, / sem aprumo e sem beleza./ Fundamental é cumprir a missão e cumpri-la até o fim”.
Uma sensação de colegialidade madura testemunhei no XXVI Concílio Diocesano da DAB, com suas conflitividades expostas sem receios nem subterfúgios, ninguém desejando apagar o brilho de ninguém, posto que a vida é curta demais para se pensar pequeno.
Reli Fernando Pessoa, dias atrás: “Fiz de mim o que não soube, / E o que podia fazer de mim não o fiz, / O dominó que vesti era errado (...) Quando quis tirar a máscara, / Estava pregada à cara. / Quando a tirei e me vi no espelho, / Já tinha envelhecido”. E percebi que a Diocese Anglicana de Brasília não desconhece a advertência contida no verso pessoano, quando vi aprovado por unanimidade seu Balanço Patrimonial e o Relatório da Secretaria Administrativa, mantendo em rumo certo uma política de contenção de gastos, planejando de forma racional e equilibrada os investimentos dos amanhãs. Percebendo-se uma Diocese Missionária em busca de uma autonomia consagradora em futuro bem próximo.
Voltei de Brasília admirando mais a reflexão de Dante: “De uma pequena fagulha podem surgir imensas labaredas”. Em miúdos: aqueles que ousam, fazem; os que não ousam, não fazem nada. E a Diocese Anglicana de Brasília, através de uma liderança pastoral consistente, sem eruditismos cavilosos nem ânsias egolátricas, a todos busca energizar fraternalmente, favorecendo a construção do Reino, ciente da recomendação lucana (Lc 18,27) e sempre “desafiada a ser o jardim experimental de Deus na terra, um fragmento do reinado de Deus, tendo as ‘primícias do Espírito’ (Rm 8,23) como penhor do que há de vir (2Co 1,22)”, no dizer muito intuitivo de David J. Bosch, em seu enriquecedor Missão Transformadora, Sinodal, 2002.
No segmento “posturas que comprometem uma caminhada evangelizadora”, as que despertaram mais atenção da assembléia foram: Evangelização voltada para o passado, enfatizando a subserviência e a memorização; Valorização da incompetência, da ignorância e da incapacidade analítica, desprezados os necessários incentivos aos talentosos; Menosprezo pelo auto-conhecimento; Obediência, passividade, dependência e conformismo; Abandono da imaginação e da fantasia; Descaso pelo cultivo de uma visão otimista dos futuros, sem hipocrisias nem messianismos; Autoritarismo travestido do binômio puritanismo x moralismo.
Na parte última do debate foram escolhidas as recomendações que o Homão de Nazaré nos transmitiria, hoje, se voltasse a conviver conosco: Imagine-se sobrepairando sobre as mediocridades do cotidiano; Desenvolva sua espiritualidade, nunca se imaginando superior a ninguém; Experimente tudo e fique com o que é bom; Ame com intensidade todas as coisas, desprezando o julgamento dos medíocres, encapuzados e encapsulados; Veja-se sempre bonito, mesmo que diante das intempéries naturais da Vida; Reserve momentos para seu lazer; Diferencie, sem pestanejar, serenidade de passividade; Viva pra servir, posto que tem muita gente necessitando dos seus esforços; Fortaleçam um cristianismo que ultrapasse “o cristianismo”; Antes dos manuais, os manuéis; Chegar tarde para fazer a mesma coisa é sinônimo de derrota; Todo cuidado é pouco com as nostalgias não-curadas de desempenhos mal sucedidos; Tente sempre alcançar as estrelas, pois nunca enfiará a mão na lama; Imagine-se sempre nunca-realizadoentronizado; A hora de reinventar-se já chegou; Lembre-se sempre de quatro complicadores fatais: a ausência de uma fascinação pelo futuro, a arrogância, a cultura de fingimento e o azedume.
Durante o XXVI Concílio foi aplicado um pequeno questionário, coletando propostas e anseios para um cada vez mais proveitoso desempenho de clérigos e leigos diocesanos, as respostas advindo sob três tipos de olhar: o olhar para dentro, o olhar para fora e o olhar para cima. Após apuração, a tabulação será enviada ao Bispo Primaz, com uma sucinta análise deste observador também anglicano, embora não-integrante da DAB.
Voltei de Brasília entusiasmado com o desempenho da Igreja Anglicana na Capital Federal, sob a batuta de Dom Maurício Andrade, liderança executiva e também pastoral. Sem ânsias de erudição, ele bem compreende as posturas que fragilizam uma estratégia episcopal: Evangelização voltada para o passado, enfatizando a subserviência e a memorização; Práticas pastorais que admitem apenas uma única resposta, cultivando-se o medo do erro e do fracasso; Valorização da incompetência, da ignorância e da incapacidade analítica, desprezados os necessários incentivos aos talentos de cada um; Menosprezo pelo auto-conhecimento; Desenvolvimento de habilidades limitadas; Obediência, passividade, dependência e conformismo; Abandono da imaginação e da fantasia; Descaso pelo cultivo de uma visão otimista dos futuros, sem hipocrisias nem messianismos; Conservadorismo passivo.
Na sua fala final, ressaltou Dom Maurício Andrade o significado do que disse, um dia, Dom Hélder Câmara, ex-arcebispo de Olinda e Recife, um dos maiores propulsores de uma Igreja Missionária comprometida com a libertação integral do Ser Humano: “Que importa que ao chegar eu nem pareça pássaro. / Que importa que ao chegar eu venha me arrebentando, caindo aos pedaços, / sem aprumo e sem beleza./ Fundamental é cumprir a missão e cumpri-la até o fim”.
Uma sensação de colegialidade madura testemunhei no XXVI Concílio Diocesano da DAB, com suas conflitividades expostas sem receios nem subterfúgios, ninguém desejando apagar o brilho de ninguém, posto que a vida é curta demais para se pensar pequeno.
Reli Fernando Pessoa, dias atrás: “Fiz de mim o que não soube, / E o que podia fazer de mim não o fiz, / O dominó que vesti era errado (...) Quando quis tirar a máscara, / Estava pregada à cara. / Quando a tirei e me vi no espelho, / Já tinha envelhecido”. E percebi que a Diocese Anglicana de Brasília não desconhece a advertência contida no verso pessoano, quando vi aprovado por unanimidade seu Balanço Patrimonial e o Relatório da Secretaria Administrativa, mantendo em rumo certo uma política de contenção de gastos, planejando de forma racional e equilibrada os investimentos dos amanhãs. Percebendo-se uma Diocese Missionária em busca de uma autonomia consagradora em futuro bem próximo.
Voltei de Brasília admirando mais a reflexão de Dante: “De uma pequena fagulha podem surgir imensas labaredas”. Em miúdos: aqueles que ousam, fazem; os que não ousam, não fazem nada. E a Diocese Anglicana de Brasília, através de uma liderança pastoral consistente, sem eruditismos cavilosos nem ânsias egolátricas, a todos busca energizar fraternalmente, favorecendo a construção do Reino, ciente da recomendação lucana (Lc 18,27) e sempre “desafiada a ser o jardim experimental de Deus na terra, um fragmento do reinado de Deus, tendo as ‘primícias do Espírito’ (Rm 8,23) como penhor do que há de vir (2Co 1,22)”, no dizer muito intuitivo de David J. Bosch, em seu enriquecedor Missão Transformadora, Sinodal, 2002.

Um comentário:
Caro Fernando,
Obrigado pelo enriquecimento que você proporcionou ao nosso Concílio e a DAB. É uma alegria e um orgulho te ter como amigo e companheiro de missão.
Um abraço!
Lucas Andrade
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