terça-feira, 1 de abril de 2008

Lambeth 2008

De 16 de julho a 4 de agosto próximos, acontecerá, na Inglaterra, a mais representativa conferência anglicana do mundo. Realizada decenalmente, a Lambeth 2008 congregará mais de 800 bispos, sendo presidida pelo Arcebispo de Cantuária Rowan Williams.
A Lambeth 2008, como as conferências anteriores em suas contemporaneidades, buscará transmitir ao episcopado anglicano mundial as estratégias evangelizadoras compatíveis com os desafios de uma era que está a exigir procedimentos missionários amplamente reformados e reformadores. Além disso, a conferência deverá proporcionar a intensificação do conhecimento de cada Província sobre as demais, fortalecendo uma reflexão coletiva acerca das iniciativas que melhor compartilhem experiências e vivências intercontinentais. Favorecendo uma aprendizagem de múltiplas vias acerca da missão anglicana de bem executar a missão de Deus no mundo.
A conferência de Lambeth 2008 continuará a ampliar o intercâmbio anglicano com outras denominações cristãs e religiosas, inclusive com os ramos egressos do seu interior. Também serão convidados observadores de outras religiões.
A Comunhão Anglicana é uma grande família de igrejas. Províncias que aglutinam dioceses, cada uma com suas paróquias, missões e pontos missionários. Cada província com seu bispo primaz, cada diocese com seu bispo diocesano, algumas delas possuindo bispo coadjutor.
Segundo documento, “a Conferência de Lambeth surgiu e qualificou-se como um dos fatores aglutinantes principais para a comunhão anglicana. Nesta Conferência, são expressas as diversas opiniões das igrejas que dizem respeito a várias problemáticas, desde as mais diretamente teológicas e sociais até as políticas. As decisões adotadas pela Conferência não têm de per si força legal em relação às igrejas individuais, senão que devem posteriormente ser aprovadas ou adaptadas, de acordo com as constituições próprias, à cada Igreja.”
O diálogo da Comunhão Anglicana com as demais igrejas cristãs se estrutura no Quadrilátero de Lambeth, formada por quatro colunas fundamentais: a aceitação da Sagrada Escritura como regra de fé, o símbolo dos apóstolos e a profissão de fé niceno-constantinopolitana, os sacramentos do batismo e da ceia do Senhor e o episcopado. Quatro princípios que foram instituídos, num primeiro momento, em Chicago, 1886, adotados, posteriormente, pela Conferência Lambeth 1888.
Acredito que o futuro do Anglicanismo somente se efetivará na razão direta de uma veracidade amplamente debatida, em Lambeth 2008, por todos os bispos anglicanos do mundo, sem discriminação de espécie alguma. Onde o binômio sinceridade x fraternidade seja dominante em todas os momentos do evento, favorecendo a erradicação dos marasmos pastorais.
Assino embaixo a reflexão feita, outro dia, por um bispo anglicano da Província do Cone Sul, certamente eivada de muita autenticidade e respaldada num caminhar existencial de pastoral solidária com os excluídos do mundo: “devemos conservar a cabeça fria e o espírito quente, o bom senso, o equilíbrio, a moderação e a fidelidade, agir com determinação e firmeza e, acima de tudo, manter a humildade, como pecadores lavados pelo sangue do Cordeiro.
Muitos põem fé numa Lambeth 2008 renovadora, sem animosidades pessoais diante da formulação de críticas objetivas dos não-domesticados, que prenunciam uma erosão avalassadora das autoridades anglicanas maiores, ocasionando o reagrupamento de um sem-número de leigos diante de uma não-enxergância em reconhecer os sinais do tempo. Leigos que, na expressão feliz do desassombrado teólogo romano Hans Küng, “dispensam qualquer veneração divinizadora, aduladora, idealistas de seus admiradores (da Igreja), preferindo o amor forte, sofredor e esperançoso dos partcipantes, dos visados e dos co-responsáveis”.
Lambeh 2008 deverá instituir a veracidade como estandarte maior da sua efetividade.
(Publicado no Jornal do Commercio, 30 de março de 2008)

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