Não a conheço, amiga, nem de vista nem de sobrenome. Mas seu apelo nos Classificados do Jornal do Commércio do Recife, no domingo passado, me sensibilizou fortemente. Apesar de não saber onde seu pai se encontra, aquilatei bem o seu desejo de tê-lo de volta, para romper o silêncio e quebrar os muros invisíveis que estão atrapalhando o relacionamento de vocês dois.
Tenho a convicção plena de que separação judicial dos seus pais não deve impossibilitar um relacionamento sadio entre pais e filhos, posto que as partes são interdependentes e se necessitarão para todo o sempre, como complementações d’almas.
Às vezes, cara jovem, os fatos da vida não acontecem como os pais desejam, por mais que tenham feito todo o possível. Diante dos atropelos, enxergá-los como feitos revitalizadores altamente corretivos para todos, inclusive para os que não compreenderam de pronto a dinâmica do acontecido.
Admirei muito a sua maturidade, Maria Verônica. Hoje, mais que nunca, é preciso romper o silêncio e quebrar os muros que de há muito foram edificados pela humanidade. Acreditar nas possibilidades dos impossíveis é dever de todo aquele que tem a Esperança como sua base sobrevivencial primeira. E você, buscando a reversão de um nunca mais, transcende o simplesmente racional, procurando amarrar pontas, pelejando consigo mesma, no tempo e no espaço, para viabilizar sonhos acalentados, utopias sadias que bem retratam comprometimentos com pessoas e fatos de um cotidiano cada vez mais agressivo e angustioso.
Parabenizo-a, Verônica, pela sua "ousadia". A "ousadia" de movimentar-se na busca de um resultado estabelecido. Você está plenamente consciente de uma verdade muito divulgada: todo ser vivo torna-se bem menos vivo a partir do instante em que não mais se movimenta na busca de um ideal.
É certo que você, em inúmeras horas, perceber-se-á repleta de incertezas mil, com uma sensação de estar fazendo papel de tola, a correr o risco de expor-se ao ridículo, no seu círculo de amizade. Jogue fora esse sentimento mesquinho. Das suas incertezas faça brotar a grandeza de uma radical confiança no reencontro com o seu paizão querido. Nem que seja para um reencontro social apenas, posto que “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, proclamação do poeta Fernando Pessoa, para quem também “tudo que brilha, olhos de Deus são”.
Você jamais será derrotada pela omissão, Verônica. A sua confiança na "inspiração que faz crescer", explicitada na imprensa, bem fundamenta a sua caminhada. Que deverá ser entendida como um caminho trilhado sobre os dois conceitos que consubstanciam a sua própria existência: escuridão e certeza. Integrar-se na escuridão para melhor entender os "porquês" da distância pai-filha, eis o nascedouro da sua certeza.
Como pai, agora também avô todo coruja da Mariana, da Maria e da Júlia, permita-me enviar-lhe uma reflexão de Inácio Larrañaga, um espanhol que dedicou sua vida à América Latina: "Nunca se deixe levar pela ilusão. Ela é parecida com a esperança, mas é o contrário dela. Saiba discernir o esforço da violência, e a ilusão da esperança. Nunca sonhe em conseguir emoções fortes. Porque, se não as conseguir, vai impacientar-se. A impaciência vai gerar a violência, isto é, vai tentar conseguir aquela impressão à força. A violência vai gerar a fadiga, e a fadiga degenerará em frustração".
Desejo-lhe mil sucessos reconciliatórios, amiga. Para seu paizão, também para mim um desconhecido, os votos de maturidade para compreender um apelo amoroso de filha, jamais piegas. Ele certamente também está a sentir as seqüelas de uma separação conjugal não-desejada, muito embora, às vezes, irreversivelmente necessária.
Feliz reencontro, Maria Verônica!! Que o amanhã lhe seja cada vez mais recheado de concretizações, sem nunca olvidar o poeta Pessoa, de minha admiração maior, também chamado Fernando Antônio: “A realidade sempre é mais ou menos do que nós queremos. Só nós somos sempre iguais a nós-próprios”.
Uma Feliz Páscoa, paizão da Verônica! Não permita que animosidades passadas o atormentem. Vá assistir Antes de Partir, com os talentosos Nicholson e Freeman. Para reenergizar-se, abandonando as possíveis puritanices cavilosas de ovelhas moralistas. Reencontrar a Verônica faz parte do seu caminhar de pai. Esteja convicto de que seu gesto reconciliatório iluminará mais fortemente o espetáculo chamado Vida.
Tenho a convicção plena de que separação judicial dos seus pais não deve impossibilitar um relacionamento sadio entre pais e filhos, posto que as partes são interdependentes e se necessitarão para todo o sempre, como complementações d’almas.
Às vezes, cara jovem, os fatos da vida não acontecem como os pais desejam, por mais que tenham feito todo o possível. Diante dos atropelos, enxergá-los como feitos revitalizadores altamente corretivos para todos, inclusive para os que não compreenderam de pronto a dinâmica do acontecido.
Admirei muito a sua maturidade, Maria Verônica. Hoje, mais que nunca, é preciso romper o silêncio e quebrar os muros que de há muito foram edificados pela humanidade. Acreditar nas possibilidades dos impossíveis é dever de todo aquele que tem a Esperança como sua base sobrevivencial primeira. E você, buscando a reversão de um nunca mais, transcende o simplesmente racional, procurando amarrar pontas, pelejando consigo mesma, no tempo e no espaço, para viabilizar sonhos acalentados, utopias sadias que bem retratam comprometimentos com pessoas e fatos de um cotidiano cada vez mais agressivo e angustioso.
Parabenizo-a, Verônica, pela sua "ousadia". A "ousadia" de movimentar-se na busca de um resultado estabelecido. Você está plenamente consciente de uma verdade muito divulgada: todo ser vivo torna-se bem menos vivo a partir do instante em que não mais se movimenta na busca de um ideal.
É certo que você, em inúmeras horas, perceber-se-á repleta de incertezas mil, com uma sensação de estar fazendo papel de tola, a correr o risco de expor-se ao ridículo, no seu círculo de amizade. Jogue fora esse sentimento mesquinho. Das suas incertezas faça brotar a grandeza de uma radical confiança no reencontro com o seu paizão querido. Nem que seja para um reencontro social apenas, posto que “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, proclamação do poeta Fernando Pessoa, para quem também “tudo que brilha, olhos de Deus são”.
Você jamais será derrotada pela omissão, Verônica. A sua confiança na "inspiração que faz crescer", explicitada na imprensa, bem fundamenta a sua caminhada. Que deverá ser entendida como um caminho trilhado sobre os dois conceitos que consubstanciam a sua própria existência: escuridão e certeza. Integrar-se na escuridão para melhor entender os "porquês" da distância pai-filha, eis o nascedouro da sua certeza.
Como pai, agora também avô todo coruja da Mariana, da Maria e da Júlia, permita-me enviar-lhe uma reflexão de Inácio Larrañaga, um espanhol que dedicou sua vida à América Latina: "Nunca se deixe levar pela ilusão. Ela é parecida com a esperança, mas é o contrário dela. Saiba discernir o esforço da violência, e a ilusão da esperança. Nunca sonhe em conseguir emoções fortes. Porque, se não as conseguir, vai impacientar-se. A impaciência vai gerar a violência, isto é, vai tentar conseguir aquela impressão à força. A violência vai gerar a fadiga, e a fadiga degenerará em frustração".
Desejo-lhe mil sucessos reconciliatórios, amiga. Para seu paizão, também para mim um desconhecido, os votos de maturidade para compreender um apelo amoroso de filha, jamais piegas. Ele certamente também está a sentir as seqüelas de uma separação conjugal não-desejada, muito embora, às vezes, irreversivelmente necessária.
Feliz reencontro, Maria Verônica!! Que o amanhã lhe seja cada vez mais recheado de concretizações, sem nunca olvidar o poeta Pessoa, de minha admiração maior, também chamado Fernando Antônio: “A realidade sempre é mais ou menos do que nós queremos. Só nós somos sempre iguais a nós-próprios”.
Uma Feliz Páscoa, paizão da Verônica! Não permita que animosidades passadas o atormentem. Vá assistir Antes de Partir, com os talentosos Nicholson e Freeman. Para reenergizar-se, abandonando as possíveis puritanices cavilosas de ovelhas moralistas. Reencontrar a Verônica faz parte do seu caminhar de pai. Esteja convicto de que seu gesto reconciliatório iluminará mais fortemente o espetáculo chamado Vida.

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