Rendo minhas homenagens aos construtores da cultura popular nordestina. Que ainda não bateu pino graças aos esforços de um grupo de abnegados, que efetivam suas pesquisas sacrificadamente, tirando dos magérrimos próprios bolsos o necessário para divulgação dos seus estudos.
Nesse resistente universo, o lugar do folclorista Mário Souto Maior, hoje assessor em assuntos de folclore na Mansão Celestial, está no primeiríssimo escalão. Os seus livros Nomes Próprios Pouco Comuns, Dicionário do Palavrão e Dicionário Folclórico da Cachaça, subsidiam centenas de pesquisas, que necessitam de trilhas seguras e honestas, distanciadas dos embusteiros pesquisadeiros, macunaímicos e vivaldinos.
Além da trilogia acima, o Souto Maior também fez entrega ao Nordeste Cultural de um texto pra lá de apetitoso: Geografia Popular do Pau Através da Língua Portuguesa. Trezentas e cincoenta expressóes analisadas, sem resvalar para o chulo e o grotesco. Sem obscenizar seu meticuloso ensaio, ele demonstrou como o pau contribuiu para as manifestações do nosso brasileiríssimo dia-a-dia, ainda não de todo tragado pelos importados maneirismos primeiromundistas.
Imaginei logo uma pessoa muito distanciada das raízes da nossa gente entender o significado da frase “no largo da feira de Casa Amarela encontrei o Dr. Fulano a-meio-pau, caindo pelas tabelas”. Ou uma outra, recém chegada do outro lado do Atlântico, ainda toda ardida pelos anos de bunda esfregada nos bancos de pós-pós-graduação sobre quase nada, a não entender opinião de companheiro de academia: “o deputado fulano de tal está sujo-que-nem-pau-de-galinheiro na CPI do Cartão Corporativo”.
Outro dia, uma faxineira declarava para uma madame toda perua que era pau-pra-toda-obra, indo logo por-cima-de-paus-e-pedras quando algum afoito desejava por-os-pauzinhos-ao-sol. E o marido da soçaite quase cai em desespero, ao ouvir de auxiliar de escritório, alto e bom som, que estava de olho grande num pauzão e que por conta disso já estava ajeitando o pauzinho-do-matrimônio. E que o casório aconteceria rapidamente, pois gostava mesmo era de pau-na-égua. Pedia apenas ao dono da casa, autoridade de primeira entrância, que fosse na sua vara bulir-com-os-pauzinhos, pois, mais que ninguém, o patrão era habituado a conhecer-o-pau-pela-raiz .
Para não fazer-casa-com-pau-bichado, já li um bocado de vezes, de cabo a rabo, o imperdível livro do Mário Souto Maior. Também não desejando ser pau-de-amarrar-égua, nem tolerando os que adoram viver-à-sombra-do-pau, fiz questão de ganhar-os-paus para me deliciar com a leitura da pesquisa do Mário, meu ex-companheiro da Fundação Joaquim Nabuco, pai do Jan e avô do Bruno, esses arretados da Informática, consultores de tudo que é gente, inclusive burra que nem eu, um metido, vez por outra, a descobrir-o-mel-de-pau na minha área de trabalho.
Tomei ciência que souto, em Portugal, é bosque espesso. E o Mário Souto Maior, folclorista popular de primeira linha, nunca desejou mudar-de-pau-pra-cacete, ficando sempre no bosque dele, convencido que nem-todo-pau-dá-esteio.
Sempre estudioso, graduado em Direito, o Mário Souto Maior jamais foi de passar-pelo-pau-do-canto. Nem de ficar-com-cara-de-pau, pois ladino como ele era, dominava como ninguém a situação, tal e qual formiga-que-sabe-que-pau-roi.
Não desejando deitar-os-pauzinhos-fora, reverencio com muita saudade um intelectual pernambucano que jamais quis ser um dois-de-paus, em tempo algum desejando disputar-pau-a-pau com quem quer que fosse.
Um autêntico sábio nordestino foi o Mário Souto Maior. Agrestino, jamais negou que se um-dia-é-do-pau-o-outro-é-do-machado. Um intelectual que está a merecer justa homenagem num logradouro público da nossa região metropolitana.
Nesse resistente universo, o lugar do folclorista Mário Souto Maior, hoje assessor em assuntos de folclore na Mansão Celestial, está no primeiríssimo escalão. Os seus livros Nomes Próprios Pouco Comuns, Dicionário do Palavrão e Dicionário Folclórico da Cachaça, subsidiam centenas de pesquisas, que necessitam de trilhas seguras e honestas, distanciadas dos embusteiros pesquisadeiros, macunaímicos e vivaldinos.
Além da trilogia acima, o Souto Maior também fez entrega ao Nordeste Cultural de um texto pra lá de apetitoso: Geografia Popular do Pau Através da Língua Portuguesa. Trezentas e cincoenta expressóes analisadas, sem resvalar para o chulo e o grotesco. Sem obscenizar seu meticuloso ensaio, ele demonstrou como o pau contribuiu para as manifestações do nosso brasileiríssimo dia-a-dia, ainda não de todo tragado pelos importados maneirismos primeiromundistas.
Imaginei logo uma pessoa muito distanciada das raízes da nossa gente entender o significado da frase “no largo da feira de Casa Amarela encontrei o Dr. Fulano a-meio-pau, caindo pelas tabelas”. Ou uma outra, recém chegada do outro lado do Atlântico, ainda toda ardida pelos anos de bunda esfregada nos bancos de pós-pós-graduação sobre quase nada, a não entender opinião de companheiro de academia: “o deputado fulano de tal está sujo-que-nem-pau-de-galinheiro na CPI do Cartão Corporativo”.
Outro dia, uma faxineira declarava para uma madame toda perua que era pau-pra-toda-obra, indo logo por-cima-de-paus-e-pedras quando algum afoito desejava por-os-pauzinhos-ao-sol. E o marido da soçaite quase cai em desespero, ao ouvir de auxiliar de escritório, alto e bom som, que estava de olho grande num pauzão e que por conta disso já estava ajeitando o pauzinho-do-matrimônio. E que o casório aconteceria rapidamente, pois gostava mesmo era de pau-na-égua. Pedia apenas ao dono da casa, autoridade de primeira entrância, que fosse na sua vara bulir-com-os-pauzinhos, pois, mais que ninguém, o patrão era habituado a conhecer-o-pau-pela-raiz .
Para não fazer-casa-com-pau-bichado, já li um bocado de vezes, de cabo a rabo, o imperdível livro do Mário Souto Maior. Também não desejando ser pau-de-amarrar-égua, nem tolerando os que adoram viver-à-sombra-do-pau, fiz questão de ganhar-os-paus para me deliciar com a leitura da pesquisa do Mário, meu ex-companheiro da Fundação Joaquim Nabuco, pai do Jan e avô do Bruno, esses arretados da Informática, consultores de tudo que é gente, inclusive burra que nem eu, um metido, vez por outra, a descobrir-o-mel-de-pau na minha área de trabalho.
Tomei ciência que souto, em Portugal, é bosque espesso. E o Mário Souto Maior, folclorista popular de primeira linha, nunca desejou mudar-de-pau-pra-cacete, ficando sempre no bosque dele, convencido que nem-todo-pau-dá-esteio.
Sempre estudioso, graduado em Direito, o Mário Souto Maior jamais foi de passar-pelo-pau-do-canto. Nem de ficar-com-cara-de-pau, pois ladino como ele era, dominava como ninguém a situação, tal e qual formiga-que-sabe-que-pau-roi.
Não desejando deitar-os-pauzinhos-fora, reverencio com muita saudade um intelectual pernambucano que jamais quis ser um dois-de-paus, em tempo algum desejando disputar-pau-a-pau com quem quer que fosse.
Um autêntico sábio nordestino foi o Mário Souto Maior. Agrestino, jamais negou que se um-dia-é-do-pau-o-outro-é-do-machado. Um intelectual que está a merecer justa homenagem num logradouro público da nossa região metropolitana.
(Publicada no Portal da Globo Nordeste)

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