Com espanto, para não dizer imensa tristeza cívica, em dezembro último li notícia da concessão da Medalha Santos Dumont à primeira dama Marisa Letícia, por relevantes serviços prestados à Força Aérea Brasileira. Uma FAB que teve por lema, um dia, “servir, nunca se servir”. A FAB do brigadeiro Eduardo Gomes, um dos ícones mais respeitados das Forças Armadas.
Não se sabe a relação dos serviços prestados pela primeira dama à Aeronáutica, capaz de merecer uma honraria que era considerada do mais alto quilate até bem pouco tempo atrás, instituída que foi, em 1958, por decreto presidencial. Como também são ainda ignoradas as razões pelas quais a referida homenagem não foi conferida, post-mortem, aos comandantes mortos nos recentes acidentes aéreos da Gol e da TAM. Tragédias que fundamentalmente contribuíram, embora de maneira lamentável, para o desnudamento do apagão aéreo que o Brasil hoje vivencia, para não se falar de febre amarela, energia elétrica, dengue, Dona Lindu e outras contaminações. Um apagão aéreo de triste memória para centenas de famílias brasileiras, que ainda tiveram de conter a indignação quando da concessão da mesmíssima Medalha Santos Dumont aos demitidos Milton Zuanazzi e Denise Abreu, ex-diretores da ANAC.
Outro dia, um popular de cuca feita disse com muita propriedade: “No Brasil, condecoração serve para confraternizar os amigos com um belo jantar, música e muita bebida. Após o evento, a medalha será jogada no fundo da gaveta. Medalha sem honra enferruja a alma. No meu pensar, conceder honrarias a torto e a direito, com sofreguidões babaovísticas, é considerar inócuos os atos de bravura e heroísmo dos realmente merecedores”. Uma opinião que é a cara de um Brasil cidadão que se desinfantiliza, que está ficando a cada dia mais enojado com as bajulações de políticos medíocres, fingidas vestais do poder maior, cínicos não-tô-nem-aí, posto que o que vale é o que se veicula pelos meios de comunicação.
O alerta do blogueiro Johny Notariano, serve para todos aqueles que possuem as mãos continuamente próximas dos sacos dos chefes de todos os naipes: “o que mais me chamou a atenção e que serve de alerta para os que estão iniciando na senda do puxasaquismo, é que algum dia o puxa-saco cairá e quem irá derrubá-lo não será o chefe e sim os seus colegas de trabalho”. E mais disse: “Conhecido como bajulador, galanteador e sabe-tudo. O perfil cultural é sofrível, para não dizer ridículo, tem muita dificuldade para as tarefas que necessitam de habilidades mínimas e básicas, mas apresenta-se como PhD em todas as áreas de conhecimento” ... “Está sempre de plantão no meio das fofocas, não perde nenhuma notícia e nenhum detalhe. Participa sem ser chamado para conversas sobre decisões, ouve escondido, como quem não quer nada, imediatamente correndo à procura da resposta em primeira mão para o chefe”. Entre o puxa-saco e os superiores existe uma falsa relação de amizade, eterna enquanto útil, chegando, em alguns casos, até a causar inveja nos que, ingenuamente, confidenciam tudo a ele com medo de perder tão “importante” influência.
Para a felicidade geral da nação, em breve os tempos não mais serão fáceis para os medíocres. Num contexto cada vez mais “mundializado”, amplia-se a consciência do ético, cultivando-se o senso crítico através de um pensar cada vez mais autônomo, capaz de melhor compreender as incógnitas e os paradoxos de uma contemporaneidade gerada por múltiplos ontens. Não se relegando o Marquês de Maricá: “A mediocridade em tudo é uma garantia e penhor de segurança e tranqüilidade, sendo a passividade sua filha predileta”.
Não descobri ainda para quem foi a carapuça do cantado por milhares num recente evento: “Eu só peço a Deus / Que a injustiça não me seja indiferente / E se um só traidor / Tem mais poderes que um povo / Que esse povo não se esqueça dele facilmente”.
Nunca, ninguém, na história recente deste país, disse uma coisa dessa ....
(Publicado no Jornal do Commercio, 13.02.2008)
Não se sabe a relação dos serviços prestados pela primeira dama à Aeronáutica, capaz de merecer uma honraria que era considerada do mais alto quilate até bem pouco tempo atrás, instituída que foi, em 1958, por decreto presidencial. Como também são ainda ignoradas as razões pelas quais a referida homenagem não foi conferida, post-mortem, aos comandantes mortos nos recentes acidentes aéreos da Gol e da TAM. Tragédias que fundamentalmente contribuíram, embora de maneira lamentável, para o desnudamento do apagão aéreo que o Brasil hoje vivencia, para não se falar de febre amarela, energia elétrica, dengue, Dona Lindu e outras contaminações. Um apagão aéreo de triste memória para centenas de famílias brasileiras, que ainda tiveram de conter a indignação quando da concessão da mesmíssima Medalha Santos Dumont aos demitidos Milton Zuanazzi e Denise Abreu, ex-diretores da ANAC.
Outro dia, um popular de cuca feita disse com muita propriedade: “No Brasil, condecoração serve para confraternizar os amigos com um belo jantar, música e muita bebida. Após o evento, a medalha será jogada no fundo da gaveta. Medalha sem honra enferruja a alma. No meu pensar, conceder honrarias a torto e a direito, com sofreguidões babaovísticas, é considerar inócuos os atos de bravura e heroísmo dos realmente merecedores”. Uma opinião que é a cara de um Brasil cidadão que se desinfantiliza, que está ficando a cada dia mais enojado com as bajulações de políticos medíocres, fingidas vestais do poder maior, cínicos não-tô-nem-aí, posto que o que vale é o que se veicula pelos meios de comunicação.
O alerta do blogueiro Johny Notariano, serve para todos aqueles que possuem as mãos continuamente próximas dos sacos dos chefes de todos os naipes: “o que mais me chamou a atenção e que serve de alerta para os que estão iniciando na senda do puxasaquismo, é que algum dia o puxa-saco cairá e quem irá derrubá-lo não será o chefe e sim os seus colegas de trabalho”. E mais disse: “Conhecido como bajulador, galanteador e sabe-tudo. O perfil cultural é sofrível, para não dizer ridículo, tem muita dificuldade para as tarefas que necessitam de habilidades mínimas e básicas, mas apresenta-se como PhD em todas as áreas de conhecimento” ... “Está sempre de plantão no meio das fofocas, não perde nenhuma notícia e nenhum detalhe. Participa sem ser chamado para conversas sobre decisões, ouve escondido, como quem não quer nada, imediatamente correndo à procura da resposta em primeira mão para o chefe”. Entre o puxa-saco e os superiores existe uma falsa relação de amizade, eterna enquanto útil, chegando, em alguns casos, até a causar inveja nos que, ingenuamente, confidenciam tudo a ele com medo de perder tão “importante” influência.
Para a felicidade geral da nação, em breve os tempos não mais serão fáceis para os medíocres. Num contexto cada vez mais “mundializado”, amplia-se a consciência do ético, cultivando-se o senso crítico através de um pensar cada vez mais autônomo, capaz de melhor compreender as incógnitas e os paradoxos de uma contemporaneidade gerada por múltiplos ontens. Não se relegando o Marquês de Maricá: “A mediocridade em tudo é uma garantia e penhor de segurança e tranqüilidade, sendo a passividade sua filha predileta”.
Não descobri ainda para quem foi a carapuça do cantado por milhares num recente evento: “Eu só peço a Deus / Que a injustiça não me seja indiferente / E se um só traidor / Tem mais poderes que um povo / Que esse povo não se esqueça dele facilmente”.
Nunca, ninguém, na história recente deste país, disse uma coisa dessa ....
(Publicado no Jornal do Commercio, 13.02.2008)

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