O pensador judeu-alemão Ernest Bloch, eternizado em 1977, entendia a utopia como uma gigantesca força revolucionária. Através dos “sonhos diurnos” de todos aqueles que buscam novas realidades para os amanhãs terrestres, ele afirmava que “pensar significa transpor”. E advertia com muita propriedade: “Numa sociedade em declínio, que não consegue achar uma saída para a decadência, o medo se antepõe e se contrapõe à esperança”.
As citações acima vêm bem a propósito de uma reflexão lida outro dia, numa revista de circulação latinoamericana: “qualquer religião é apenas uma superstição utilizada pelos fracos”. Um enunciado que está apenas refletindo uma incapacidade das denominações cristãs de oferecer um conteúdo religioso contemporâneo, favorecendo indagações múltiplas, elucidando perplexidades, sem as “definitividades” já integralmente ultrapassadas no decorrer da nossa engatinhante evolução societária. Necessário de fazem posturas evangelizadoras que busquem difundir essências, erradicando as interpretações elaboradas sob circunstâncias históricas que não mais se repetirão, inúmeras delas expostas sob uma necessidade neurótica de controlar os conteúdos estabelecidos em passado remoto.
Cremos sinceramente que a difusão das essências religiosas deveria acontecer sob os “ares respirantes” de um século XXI cada vez mais cientificamente evolucionário. Na área evangélica, com maior empenho dinamizador do Conselho Mundial de Igrejas, que já devia ter melhor percebido que o movimento ecumênico está passando mais por Roma e menos por Genebra. Um projeto romano hegemônico e dogmático em atenta construção, segundo o teólogo Júlio de Santa Ana, em conferência pronunciada em São Paulo sobre a situação do Cristianismo no mundo, editada pelo Boletim da Aste, junho de 1999.
Se novamente estivesse fisicamente entre nós, imagino que o Nazareno Amado formularia dois questionamentos deveras incomodatícios para os “tartarugados” de sempre, de “enxergância” mínima voltada apenas para os seus pagos sobrevivenciais: “Por que as minhas indagações ainda não foram devidamente assimiladas pelos meus seguidores, dois mil e tantos anos depois da minha estada por aqui?”; e “Por que, ao invés de libertar integralmente os Filhos da Criação, em meu nome as denominações cristãs vivem se digladiando, transformando evangelização libertadora em estratégias empreendedoras ‘mesquinhosas’?”.
Seria muito oportuno se todos nós, cristãos de todas as denominações, nenhuma sendo mais importante que as outras, pudéssemos repetir todos os dias a súplica feita pelo cego de Jericó – “Senhor, que eu recupere a vista” (Lc 18,41). Teríamos, pelo menos, a oportunidade de melhor redimensionar uma consistente estratégia evangelizadora, promovendo uma “enxergada geral” em nossos próprios derredores, percebendo as nossas traves antes da observação dos ciscos dos olhos dos outros.
Certamente, os questionamentos do Senhor Jesus imaginados acima seriam lidos e debatidos com muito acuidade, cada um buscando atingir uma maturidade cristã mais acentuada, voltada para um mundo mais digno para todos, onde todos teriam vida e vida em abundância, como já almejava o apóstolo João (10,10). Não mais desrespeitando as vidas de mais de DEZ MILHÕES de crianças que morrem anualmente de causas absurdas, QUATRO MILHÕES delas por não terem acesso a água.
Somente através de um cristianismo mais conseqüente e socialmente responsável, rejeitando a passividade e favorecendo a construção promissora de uma Paz Mundial, poderemos todos, independentemente das vinculações denominacionais, efetivar o tencionado nos versos do hinário: “Erguerei a taça da vitória e chamarei o Senhor pelo seu nome” (Sl 116,13).
Sejamos mais cristãos, reconhecendo nossas idiossincrasias, nossas egolatrias, nossas ânsias de poder, que nos tornam desatentos para a advertência duplamente milenar: “Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar conhecido” (Mt 10,26).
Da minha parte, continuarei, minusculamente quixote, pugnando por um Cristianismo capaz de continuadamente se reformar diante das evoluções societárias, buscando ligar, em via de mão dupla, a cabeça e o coração, erradicadas as artimanhas de todo não-pensar. De muita utilidade para os sempre desligados do alerta junguiano: “estamos cansados do esforço excessivo em crer porque o objetivo de nossa crença deixou de ser inerentemente convincente”.
As citações acima vêm bem a propósito de uma reflexão lida outro dia, numa revista de circulação latinoamericana: “qualquer religião é apenas uma superstição utilizada pelos fracos”. Um enunciado que está apenas refletindo uma incapacidade das denominações cristãs de oferecer um conteúdo religioso contemporâneo, favorecendo indagações múltiplas, elucidando perplexidades, sem as “definitividades” já integralmente ultrapassadas no decorrer da nossa engatinhante evolução societária. Necessário de fazem posturas evangelizadoras que busquem difundir essências, erradicando as interpretações elaboradas sob circunstâncias históricas que não mais se repetirão, inúmeras delas expostas sob uma necessidade neurótica de controlar os conteúdos estabelecidos em passado remoto.
Cremos sinceramente que a difusão das essências religiosas deveria acontecer sob os “ares respirantes” de um século XXI cada vez mais cientificamente evolucionário. Na área evangélica, com maior empenho dinamizador do Conselho Mundial de Igrejas, que já devia ter melhor percebido que o movimento ecumênico está passando mais por Roma e menos por Genebra. Um projeto romano hegemônico e dogmático em atenta construção, segundo o teólogo Júlio de Santa Ana, em conferência pronunciada em São Paulo sobre a situação do Cristianismo no mundo, editada pelo Boletim da Aste, junho de 1999.
Se novamente estivesse fisicamente entre nós, imagino que o Nazareno Amado formularia dois questionamentos deveras incomodatícios para os “tartarugados” de sempre, de “enxergância” mínima voltada apenas para os seus pagos sobrevivenciais: “Por que as minhas indagações ainda não foram devidamente assimiladas pelos meus seguidores, dois mil e tantos anos depois da minha estada por aqui?”; e “Por que, ao invés de libertar integralmente os Filhos da Criação, em meu nome as denominações cristãs vivem se digladiando, transformando evangelização libertadora em estratégias empreendedoras ‘mesquinhosas’?”.
Seria muito oportuno se todos nós, cristãos de todas as denominações, nenhuma sendo mais importante que as outras, pudéssemos repetir todos os dias a súplica feita pelo cego de Jericó – “Senhor, que eu recupere a vista” (Lc 18,41). Teríamos, pelo menos, a oportunidade de melhor redimensionar uma consistente estratégia evangelizadora, promovendo uma “enxergada geral” em nossos próprios derredores, percebendo as nossas traves antes da observação dos ciscos dos olhos dos outros.
Certamente, os questionamentos do Senhor Jesus imaginados acima seriam lidos e debatidos com muito acuidade, cada um buscando atingir uma maturidade cristã mais acentuada, voltada para um mundo mais digno para todos, onde todos teriam vida e vida em abundância, como já almejava o apóstolo João (10,10). Não mais desrespeitando as vidas de mais de DEZ MILHÕES de crianças que morrem anualmente de causas absurdas, QUATRO MILHÕES delas por não terem acesso a água.
Somente através de um cristianismo mais conseqüente e socialmente responsável, rejeitando a passividade e favorecendo a construção promissora de uma Paz Mundial, poderemos todos, independentemente das vinculações denominacionais, efetivar o tencionado nos versos do hinário: “Erguerei a taça da vitória e chamarei o Senhor pelo seu nome” (Sl 116,13).
Sejamos mais cristãos, reconhecendo nossas idiossincrasias, nossas egolatrias, nossas ânsias de poder, que nos tornam desatentos para a advertência duplamente milenar: “Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar conhecido” (Mt 10,26).
Da minha parte, continuarei, minusculamente quixote, pugnando por um Cristianismo capaz de continuadamente se reformar diante das evoluções societárias, buscando ligar, em via de mão dupla, a cabeça e o coração, erradicadas as artimanhas de todo não-pensar. De muita utilidade para os sempre desligados do alerta junguiano: “estamos cansados do esforço excessivo em crer porque o objetivo de nossa crença deixou de ser inerentemente convincente”.

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