Da professora Edla Soares, um dos ícones da educação brasileira, admiração de muitos anos, recebo artigo do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, recentemente publicado. Intitulado Socialismo do Século 21, o texto do pesquisador luso deveria servir de mote para amplas discussões nas classes eclesiais, políticas e sindicais, favorecendo a emersão de novos ideários, de novas alternativas para a atual crise planetária, onde as desigualdades sociais se agigantam, a violência se intensifica e uma despolitização assustadora toma conta de uma mocidade cada vez mais voltada para os interesses pessoais.
O socialismo do século 21 necessita da concretização de fecundantes debates reconstrutores, onde os erros e fracassos dos passados recentes sejam esmiuçados, “para que seja credível a vontade de evitá-los”. Sem a violação massiva dos direitos humanos, tampouco qualquer cerceamento da liberdade de imprensa, com menos estatização e mais controle social comunitário.
Segundo Sousa Santos, algumas características para um socialismo 21 poderiam balizar os debates: complementaridade entre democracia representativa e democracia participativa; legitimidade da diversidade de opiniões; produção menos assentada na propriedade estatal dos meios de produção que na associação de produtores; regime misto de propriedade, onde coexistam propriedade privada, estatal e coletiva (cooperativa); predominância, a longo prazo, da economia do altruísmo sobre a economia do egoísmo; respeito crescente para com a natureza e a justiça distributiva; transparência mais efetiva do Estado, favorecendo o seu controle público e a criação de espaços públicos não estatais; reconhecimento da interculturalidade e da plurinacionalidade; radical combate à corrupção, aos privilégios e às discriminações raciais, sexuais e religiosas. E estratégias para implantação de socialismos de várias tonalidades em diferentes países, posto que torna-se cada vez menos viável a adoção de um modelo único, não multifacetado.
Ousaria revelar alguns norteamentos que ensejariam a consolidação de um socialismo 21 com dignidade para gregos e troianos, erradicando as ações marginais dos que apenas desejam levar vantagem em tudo: “A liberdade é uma responsabilidade e não um privilégio; Pessimismo é a ausência de angústia, quando não compensada pela presença da Esperança; O germe mais maléfico da nossa crise política é o do faz-de-conta; Entre revolta e resignação, a tarefa principal do ser humano deverá ser a de compreender/explicar para transformar; Uma geração que amesquinha a geração que a precedeu, que não consegue reconhecer as grandezas nem o seu significado necessário, é uma geração que mostra ser minúscula, que não tem confiança em si mesma, ainda que assuma pose de gladiador e exiba mania de grandeza”. Reflexões de autores diversos, que facilitariam caminhadas, ampliariam compreensões e despertariam cidadanias, criatividades e competências. Com estratégias e táticas bem definidas e amplamente discutidas, além de intransigente postura dialogal para um ver melhor o derredor.
Nossa atual crise de valores, que também se incorpora a uma crise mundial, é muito profunda. E a ausência de uma profissionalidade cidadã comprometida com a transformação do hoje está levando inúmeros à adoção de uma das alternativas desastrosas: a de se ser hipercrítico em relação a tudo aquilo que desagrada, por não sair do seu grupelho; ou a de ser subcrítico, acomodando-se cordeiramente diante de qualquer proposta.
A reflexão de Wilfred Cantwell, estudioso das religiões, é procedente: “Necessitamos, caso quisermos resolver satisfatoriamente os problemas humanos que afligem o mundo moderno, de uma compreensão mais adequada de religião, tanto da religião de outras pessoas quanto da nossa, do que aquela de que dispussemos em geral até o momento”.
O socialismo do século 21 necessita da concretização de fecundantes debates reconstrutores, onde os erros e fracassos dos passados recentes sejam esmiuçados, “para que seja credível a vontade de evitá-los”. Sem a violação massiva dos direitos humanos, tampouco qualquer cerceamento da liberdade de imprensa, com menos estatização e mais controle social comunitário.
Segundo Sousa Santos, algumas características para um socialismo 21 poderiam balizar os debates: complementaridade entre democracia representativa e democracia participativa; legitimidade da diversidade de opiniões; produção menos assentada na propriedade estatal dos meios de produção que na associação de produtores; regime misto de propriedade, onde coexistam propriedade privada, estatal e coletiva (cooperativa); predominância, a longo prazo, da economia do altruísmo sobre a economia do egoísmo; respeito crescente para com a natureza e a justiça distributiva; transparência mais efetiva do Estado, favorecendo o seu controle público e a criação de espaços públicos não estatais; reconhecimento da interculturalidade e da plurinacionalidade; radical combate à corrupção, aos privilégios e às discriminações raciais, sexuais e religiosas. E estratégias para implantação de socialismos de várias tonalidades em diferentes países, posto que torna-se cada vez menos viável a adoção de um modelo único, não multifacetado.
Ousaria revelar alguns norteamentos que ensejariam a consolidação de um socialismo 21 com dignidade para gregos e troianos, erradicando as ações marginais dos que apenas desejam levar vantagem em tudo: “A liberdade é uma responsabilidade e não um privilégio; Pessimismo é a ausência de angústia, quando não compensada pela presença da Esperança; O germe mais maléfico da nossa crise política é o do faz-de-conta; Entre revolta e resignação, a tarefa principal do ser humano deverá ser a de compreender/explicar para transformar; Uma geração que amesquinha a geração que a precedeu, que não consegue reconhecer as grandezas nem o seu significado necessário, é uma geração que mostra ser minúscula, que não tem confiança em si mesma, ainda que assuma pose de gladiador e exiba mania de grandeza”. Reflexões de autores diversos, que facilitariam caminhadas, ampliariam compreensões e despertariam cidadanias, criatividades e competências. Com estratégias e táticas bem definidas e amplamente discutidas, além de intransigente postura dialogal para um ver melhor o derredor.
Nossa atual crise de valores, que também se incorpora a uma crise mundial, é muito profunda. E a ausência de uma profissionalidade cidadã comprometida com a transformação do hoje está levando inúmeros à adoção de uma das alternativas desastrosas: a de se ser hipercrítico em relação a tudo aquilo que desagrada, por não sair do seu grupelho; ou a de ser subcrítico, acomodando-se cordeiramente diante de qualquer proposta.
A reflexão de Wilfred Cantwell, estudioso das religiões, é procedente: “Necessitamos, caso quisermos resolver satisfatoriamente os problemas humanos que afligem o mundo moderno, de uma compreensão mais adequada de religião, tanto da religião de outras pessoas quanto da nossa, do que aquela de que dispussemos em geral até o momento”.
(Publicado no Jornal do Commercio, Recife, PE, em 21.11.2007, Página Opinião)

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