Dois talentos nordestinos, com opiniões energizantes. A primeira, do Frei Caneca, identificava como pés de chumbos aqueles que demandam um tempão para tomar decisão, pensando mais nas vantagens que serão obtidas que nos benefícios proporcionados. A segunda é do Capiba, grande carnavalesco: “Fiquem velhos, mas não envelheçam”.
Se analisarmos as duas personalidades, encontraremos nelas qualidades comuns: um viver com penso, uma transitividade nunca terminal, uma tesão existencial de múltiplas enxergâncias. Vivos e jamais azedos, parecem irmanados ao poeta Fernando Pessoa, que proclamava “só uma grande intuição pode ser bússola nos descampados da vida”.
Por que as ações de Caneca e Capiba, cada um na sua especialidade, repercutem até hoje, propiciando inspirações estratégicas? Porque suas ações eram concretas, separando essência de circunstância, nunca agindo como ovelhas abestadas, mas como cabritos saltitantes, sempre escapando das armadilhas metidas a boazinhas. Eles eram candeias que iluminavam. Contaminadores por excelência, buscavam contribuir para a edificação do social através da renovação das suas próprias mentes, livrando-se das amarguras de um cotidiano que se torna cada vez mais hipócrita em épocas de semana santa.
Os dois pernambucanos, se ainda convivessem conosco, se extasiariam ao tomar ciência de estatística comprovada: “o mundo inventou mais nestas últimas 40 décadas do que o aparecimento do ser humano, há três milhões de anos”. E aplaudiriam o pensar do apóstolo Paulo: “uma esperança que pode ser vista não é esperança”.
Imagino questões levantadas pelos dois guerreiros: Será que a cidadanização completa do brasileiro não faria muitos perderem suas boquinhas? Por que será que as denominações religiosas que apregoam a necessidade de seus membros serem sal da terra, se encontram em situações insossas, sem capacidade de induzir evoluções sociais, com espiritualidades distanciadas de um fazejamento efetivo? Por que será que Índia e Brasil, com semelhantes níveis de desenvolvimento, possuem índices de criminalidade tão díspares, lá baixíssimos, aqui uma vergonha que o mundo já tomou ciência, afetando nossa imagem de país cordial? Por que a Justiça é tão morosa, induzindo a entronização da punição pelas próprias mãos? Por que os “aloprados” da base de sustentação do Governo não são defenestrados definitivamente? Por que os larápios, que eram capazes de bater carteiras sem deixar marcas, agora usam armas de fogo, assassinando famílias inteiras, enquanto as autoridades discutem turisticamente as causas da criminalidade? Por que o mérito e o talento se encontram sumidos dos principais cargos comissionados, sendo substituídos por compadrios medíocres, os nomeados sem as mínimas competências gerenciais de bem administrar o patrimônio público? Por que o horror da barbárie vem gradativamente acovardando os dignos de todas as classes sociais? Por que se fala tanto nas atrocidades acontecidas no Iraque, quando fatos similares estão ocorrendo sob nossos olhos, com a devida complascência das autoridades públicas? Por que o policial que abandona o caminho da lei não é tratado como marginal especializado, a merecer penas mais severas? Para que secretaria de mulher, se inúmeras continuam sendo assassinadas?
Abandonar a embromação, o fingimento, o faz-de-conta, o bom mocismo, o assistencialismo eleitoreiro e a demagogia desenfreada, eis uma estratégia efetiva para a ampliação de uma cidadania, a do povo brasileiro, que necessita livrar-se das amarguras incompatíveis com os desafios de um século, o 21, que está a exigir construções mais efetivas para a erradicação das múltipla opressões. Inúmeras delas sutilmente populistas.
Se analisarmos as duas personalidades, encontraremos nelas qualidades comuns: um viver com penso, uma transitividade nunca terminal, uma tesão existencial de múltiplas enxergâncias. Vivos e jamais azedos, parecem irmanados ao poeta Fernando Pessoa, que proclamava “só uma grande intuição pode ser bússola nos descampados da vida”.
Por que as ações de Caneca e Capiba, cada um na sua especialidade, repercutem até hoje, propiciando inspirações estratégicas? Porque suas ações eram concretas, separando essência de circunstância, nunca agindo como ovelhas abestadas, mas como cabritos saltitantes, sempre escapando das armadilhas metidas a boazinhas. Eles eram candeias que iluminavam. Contaminadores por excelência, buscavam contribuir para a edificação do social através da renovação das suas próprias mentes, livrando-se das amarguras de um cotidiano que se torna cada vez mais hipócrita em épocas de semana santa.
Os dois pernambucanos, se ainda convivessem conosco, se extasiariam ao tomar ciência de estatística comprovada: “o mundo inventou mais nestas últimas 40 décadas do que o aparecimento do ser humano, há três milhões de anos”. E aplaudiriam o pensar do apóstolo Paulo: “uma esperança que pode ser vista não é esperança”.
Imagino questões levantadas pelos dois guerreiros: Será que a cidadanização completa do brasileiro não faria muitos perderem suas boquinhas? Por que será que as denominações religiosas que apregoam a necessidade de seus membros serem sal da terra, se encontram em situações insossas, sem capacidade de induzir evoluções sociais, com espiritualidades distanciadas de um fazejamento efetivo? Por que será que Índia e Brasil, com semelhantes níveis de desenvolvimento, possuem índices de criminalidade tão díspares, lá baixíssimos, aqui uma vergonha que o mundo já tomou ciência, afetando nossa imagem de país cordial? Por que a Justiça é tão morosa, induzindo a entronização da punição pelas próprias mãos? Por que os “aloprados” da base de sustentação do Governo não são defenestrados definitivamente? Por que os larápios, que eram capazes de bater carteiras sem deixar marcas, agora usam armas de fogo, assassinando famílias inteiras, enquanto as autoridades discutem turisticamente as causas da criminalidade? Por que o mérito e o talento se encontram sumidos dos principais cargos comissionados, sendo substituídos por compadrios medíocres, os nomeados sem as mínimas competências gerenciais de bem administrar o patrimônio público? Por que o horror da barbárie vem gradativamente acovardando os dignos de todas as classes sociais? Por que se fala tanto nas atrocidades acontecidas no Iraque, quando fatos similares estão ocorrendo sob nossos olhos, com a devida complascência das autoridades públicas? Por que o policial que abandona o caminho da lei não é tratado como marginal especializado, a merecer penas mais severas? Para que secretaria de mulher, se inúmeras continuam sendo assassinadas?
Abandonar a embromação, o fingimento, o faz-de-conta, o bom mocismo, o assistencialismo eleitoreiro e a demagogia desenfreada, eis uma estratégia efetiva para a ampliação de uma cidadania, a do povo brasileiro, que necessita livrar-se das amarguras incompatíveis com os desafios de um século, o 21, que está a exigir construções mais efetivas para a erradicação das múltipla opressões. Inúmeras delas sutilmente populistas.

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