Num seminário de férias realizado numa universidade do norte, um dos temas, Vida Universitária, coube a este norte-riograndense, pernambucanizado na Assembléia Legislativa e recifensizado pela Câmara de Vereadores. O tema poderia ser desenvolvido sob dois prismas. O primeiro, agradante, massageador, triunfalista. O segundo, crítico, buscando contribuir para a melhoria de comportamentos discentes, docentes, administrativos e organizacionais, evitando-se uma obsolescência institucional que mumifica, atrofia a criatividade, acelera o esclerosamento do saber e enseja o Phdeísmo, virus que intoxica o diplomado, deixando-o com um ar de soberba absoluta, “um valor antidemocrático por excelência”, na expressão utilizada por Fernando Savater, filósofo espanhol contemporâneo, num dos seus últimos textos, Os Sete Pecados Capitais.
Com um bocado de quilômetros rodados, por vocação, na área das Ciências da Administração, enumerei algumas das atuais dificuldades enfrentadas por um Coordenador de Curso, ou Diretor de Centro/Faculdade. Umas relacionadas com a instituição de ensino, outras inerentes aos próprios acadêmicos. Outras vinculadas a engessamentos burocráticos e curriculares.
A primeira diz respeito a sacrificados professores temporários, alguns deles com dez, doze anos de provisoriedade, à espera de concurso que os tornem integrados à vida acadêmica.
A segunda dificuldade é a precariedade das bibliotecas, que impossibilitam os interessados de um acesso rápido ao que existe de contemporâneo. A não-atualização dos acervos bibliotecários vitima a criticidade, favorecendo uma cultura de fingimento, traduzida num volume crescente de informações internéticas sem a devida mastigação transformadora para torná-las conhecimento.
Um terceiro obstáculo procede do corpo discente. E a culpa não é deles. O ensardinhamento das salas de aula é um dos fatores desestimulantes. Salas com 70, 80, 120 alunos, por mais que sejam utilizadas modernas técnicas de comunicação, não favorecem uma integração docente/discente compatível com as exigências de um mundo que necessita ser desindividualizado, mais parceria e menos competitividade, mais construção conjunta que samba de uma nota só. Salvo honrosas exceções, raras são as instituições que possuem consistentes programações culturais não-embromatórias, como também segurança efetiva que proporcione o comparecimento dos alunos sem as agonias de um final de noite de alta periculosidade para todos.
Além disso, os ciclos básicos são meras casas de passagem, sem precupações maiores com a integração discente/universidade. Para não falar das desatenções para com jovens de 16/17/18 anos, quase crianças, muitos advindos de escolas que apenas ensinam como ultrapassar, mal, as barreiras do vestibular, para não falar, aqui, das mentes excepcionalmente inteligentes, que anseiam por algo mais denso que o ministrado nos anos anteriores.
Em relação a cotas, aplaudo recente iniciativa da Universidade de Pernambuco, em destinar um percentual das suas vagas para alunos da escola pública, sejam eles de qualquer etnia. Uma iniciativa concreta que amplia a pressão sobre a melhoria das escolas públicas de ensino fundamental e médio.
No mais, compete às entidades supervisoras exercerem funções emuladoras, endurecendo quando necessário, ainda que sem perder a ternura jamais. Sempre diferenciando conceitos vivos de conceitos mortos, Reis buscando segredos dos sapateiros e sapateiros infelizes porque não conseguem ser Reis.
A dinamização da vida acadêmica de uma instituição, excluídas as metidas a de nível superior, requer uma tesão acadêmica permanente, professores, alunos, dirigentes e funcionários. Sem a “celebração permanente da mediocridade”, um ritual de muito agrado dos fingidos e amacacados.
Jornal do Commercio, Recife - PE, 18.04.2007
Com um bocado de quilômetros rodados, por vocação, na área das Ciências da Administração, enumerei algumas das atuais dificuldades enfrentadas por um Coordenador de Curso, ou Diretor de Centro/Faculdade. Umas relacionadas com a instituição de ensino, outras inerentes aos próprios acadêmicos. Outras vinculadas a engessamentos burocráticos e curriculares.
A primeira diz respeito a sacrificados professores temporários, alguns deles com dez, doze anos de provisoriedade, à espera de concurso que os tornem integrados à vida acadêmica.
A segunda dificuldade é a precariedade das bibliotecas, que impossibilitam os interessados de um acesso rápido ao que existe de contemporâneo. A não-atualização dos acervos bibliotecários vitima a criticidade, favorecendo uma cultura de fingimento, traduzida num volume crescente de informações internéticas sem a devida mastigação transformadora para torná-las conhecimento.
Um terceiro obstáculo procede do corpo discente. E a culpa não é deles. O ensardinhamento das salas de aula é um dos fatores desestimulantes. Salas com 70, 80, 120 alunos, por mais que sejam utilizadas modernas técnicas de comunicação, não favorecem uma integração docente/discente compatível com as exigências de um mundo que necessita ser desindividualizado, mais parceria e menos competitividade, mais construção conjunta que samba de uma nota só. Salvo honrosas exceções, raras são as instituições que possuem consistentes programações culturais não-embromatórias, como também segurança efetiva que proporcione o comparecimento dos alunos sem as agonias de um final de noite de alta periculosidade para todos.
Além disso, os ciclos básicos são meras casas de passagem, sem precupações maiores com a integração discente/universidade. Para não falar das desatenções para com jovens de 16/17/18 anos, quase crianças, muitos advindos de escolas que apenas ensinam como ultrapassar, mal, as barreiras do vestibular, para não falar, aqui, das mentes excepcionalmente inteligentes, que anseiam por algo mais denso que o ministrado nos anos anteriores.
Em relação a cotas, aplaudo recente iniciativa da Universidade de Pernambuco, em destinar um percentual das suas vagas para alunos da escola pública, sejam eles de qualquer etnia. Uma iniciativa concreta que amplia a pressão sobre a melhoria das escolas públicas de ensino fundamental e médio.
No mais, compete às entidades supervisoras exercerem funções emuladoras, endurecendo quando necessário, ainda que sem perder a ternura jamais. Sempre diferenciando conceitos vivos de conceitos mortos, Reis buscando segredos dos sapateiros e sapateiros infelizes porque não conseguem ser Reis.
A dinamização da vida acadêmica de uma instituição, excluídas as metidas a de nível superior, requer uma tesão acadêmica permanente, professores, alunos, dirigentes e funcionários. Sem a “celebração permanente da mediocridade”, um ritual de muito agrado dos fingidos e amacacados.
Jornal do Commercio, Recife - PE, 18.04.2007

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