Não causa espanto algum, salvo para desligados e oportunistas de plantão, a declaração presidencial recente classificando os usineiros brasileiros de heróis mundiais. Tinha o mesmo Lula, tempos atrás, 1985, por ocasião de uma entrevista concedida à Folha de São Paulo, 29 de dezembro, opinião inteiramente diversa: “sou daqueles que não admitem a existência das classes sociais”. E também dizia: “na medida em que a gente perceber que pela via parlamentar, pela via puramente eleitoral, você não conseguirá o poder, eu assumo a responsabilidade de dizer à classe trabalhadora que ela tem que procurar outra via”.
Duas épocas, dois pensares, oportunidades calculadas por quem se tornou gradativamente um egocrata, tal e qual aquele monarca francês que acreditava que o Estado era ele próprio. Um líder de massa que amplia o seu ufanar imaginando-se messias latino, estrategicamente anestesiando os marginalizados, pairando acima do bem e do mal, continuadamente aplaudido pelas massas mediante assistencialismos diversos e mil e um pronunciamentos curtos de baixo calibre.
Tudo isso acontece sob a conivência abjeta do silêncio dos intelectuais ditos progressistas, que apenas ratificam a tese “se existe estamento oportunista, sobretudo quando silencia, este é o dos chamados intelectuais”. Para não falar dos intelectuais achincalhadores, que nominam de idiotas e imbecis os que não comungam com seus costumes e não aplaudem suas bandas de música, empoleirados que estão num bem-bom gerontológico.
Diz o filósofo Roberto Romano, em relação aos silenciosos: “grande parte deles falou em demasia quando seus protetores partidários eram unanimidade no jogo do poder”. E até cita uma ex-destacada dama da filosofia, outrora linha de frente da ribalta esquerdista: “quando Lula fala, tudo se ilumina, tudo se esclarece”. Seguramente ela não atentou para a reflexão de Harold Bloom: "a filosofia, a inimiga das ilusões e das falsas esperanças, nunca é realmente popular, sendo sempre suspeita aos olhos dos que apoiam qualquer dos extremos que estejam no poder"
Disse outro dia: Não tenho nenhuma predileção por xenofobias, sejam elas quais forem. Mas não me sinto civicamente confortável, observando alguns pronunciamentos ardorosos em favor de uma generalizada privatização, quando facilmente se verifica, até mesmo por cima dos panos, interesses avassaladoramente despudorados, sem a mínima preocupação com o social e o pátrio. Como também não me permito concessões gratuitas e apoios irrestritos àqueles que, defensores extremados do setor público, apenas advogam a manutenção de privilégios espúrios, prevaricações mil, incompetências travestidas de cargos pomposos e salários magnificentes, às custas de todos, o social ficando apenas num discurso para palanques e entrevistas sorridentes.
Urge um imediato programa de reestruturação nacional, inclusive político-partidário. Para travar o bom combate diante das expressividades comodistas e procedimentos políticos bandidos. Para erradicar as causas de uma desacreditação dos poderes públicos. Eliminando-se, pela efetividade dos conseqüentes, os sinais visíveis de um novo barbarismo, seqüela das ampliações econômico-sociais entre os que têm e os que nada possuem, estes já em explícita guerra civil.
É dever persistir reconstruindo os fatos históricos dos nossos ontens sob um prisma estratégicamente idôneo, nunca embusteiro nem embromador. O próprio Umberto Eco, em memorável entrevista, declarava que "a Terra é redonda: não se pode ir à esquerda demais". E explicava: a força de perseguir a idéia mais extrema, a mais provocadora, a mais "inovadora", acaba por dar a volta e se ver situada na extrema direita.
Os exemplos são centenas. Parece até que o Lula leu Umbertro Ecco, dado seu incomensurável orgasmo cívico pelos novos heróis mundiais, os usineiros brasileiros.
Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco, 28.03.2007
Duas épocas, dois pensares, oportunidades calculadas por quem se tornou gradativamente um egocrata, tal e qual aquele monarca francês que acreditava que o Estado era ele próprio. Um líder de massa que amplia o seu ufanar imaginando-se messias latino, estrategicamente anestesiando os marginalizados, pairando acima do bem e do mal, continuadamente aplaudido pelas massas mediante assistencialismos diversos e mil e um pronunciamentos curtos de baixo calibre.
Tudo isso acontece sob a conivência abjeta do silêncio dos intelectuais ditos progressistas, que apenas ratificam a tese “se existe estamento oportunista, sobretudo quando silencia, este é o dos chamados intelectuais”. Para não falar dos intelectuais achincalhadores, que nominam de idiotas e imbecis os que não comungam com seus costumes e não aplaudem suas bandas de música, empoleirados que estão num bem-bom gerontológico.
Diz o filósofo Roberto Romano, em relação aos silenciosos: “grande parte deles falou em demasia quando seus protetores partidários eram unanimidade no jogo do poder”. E até cita uma ex-destacada dama da filosofia, outrora linha de frente da ribalta esquerdista: “quando Lula fala, tudo se ilumina, tudo se esclarece”. Seguramente ela não atentou para a reflexão de Harold Bloom: "a filosofia, a inimiga das ilusões e das falsas esperanças, nunca é realmente popular, sendo sempre suspeita aos olhos dos que apoiam qualquer dos extremos que estejam no poder"
Disse outro dia: Não tenho nenhuma predileção por xenofobias, sejam elas quais forem. Mas não me sinto civicamente confortável, observando alguns pronunciamentos ardorosos em favor de uma generalizada privatização, quando facilmente se verifica, até mesmo por cima dos panos, interesses avassaladoramente despudorados, sem a mínima preocupação com o social e o pátrio. Como também não me permito concessões gratuitas e apoios irrestritos àqueles que, defensores extremados do setor público, apenas advogam a manutenção de privilégios espúrios, prevaricações mil, incompetências travestidas de cargos pomposos e salários magnificentes, às custas de todos, o social ficando apenas num discurso para palanques e entrevistas sorridentes.
Urge um imediato programa de reestruturação nacional, inclusive político-partidário. Para travar o bom combate diante das expressividades comodistas e procedimentos políticos bandidos. Para erradicar as causas de uma desacreditação dos poderes públicos. Eliminando-se, pela efetividade dos conseqüentes, os sinais visíveis de um novo barbarismo, seqüela das ampliações econômico-sociais entre os que têm e os que nada possuem, estes já em explícita guerra civil.
É dever persistir reconstruindo os fatos históricos dos nossos ontens sob um prisma estratégicamente idôneo, nunca embusteiro nem embromador. O próprio Umberto Eco, em memorável entrevista, declarava que "a Terra é redonda: não se pode ir à esquerda demais". E explicava: a força de perseguir a idéia mais extrema, a mais provocadora, a mais "inovadora", acaba por dar a volta e se ver situada na extrema direita.
Os exemplos são centenas. Parece até que o Lula leu Umbertro Ecco, dado seu incomensurável orgasmo cívico pelos novos heróis mundiais, os usineiros brasileiros.
Jornal do Commercio, Recife, Pernambuco, 28.03.2007

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