sábado, 13 de janeiro de 2007

Fuxicos, Indecências e Grandeza

1. Tenho uma aversão profunda a fuxicos, principalmente se advindos de baratas de sacristias, aquelas mal-amadas, de auto-estimas reduzidas, que levam e trazem fofocas de todos os tipos, através de bilhetes anônimos, recados e e-mails. Fatos acontecidos recentemente me fazem relembrar o que aconteceu numa cidade do interior nordestino, anos 50, quando um bispo recebeu a visita de uma fuxiqueira língua-de-trapo, que lhe assoviou ao pé do ouvido sobre um determinado padre que, pároco de um município menor, quase toda semana se deslocava para uma cidade maior, pernoitando na casa de uma viúva ainda jovem, sem ainda qualquer peça de reposição ou enchimento. Como toda pessoa que tem mania de emprenhar pelos ouvidos, o bispo logo chamou o padre acusado para confirmar o fato. Sem piscar um olho, o padre confirmou o pernoite na casa da viúva. E ressaltou que não achava nada de mais, posto que ela era sua irmã mais nova. O bispo colocou a rabeca debaixo do sovaco, livrando-se de processo judicial.
2. Quando se fala em indecências, as imagens dos presidentes da Câmara e do Senado me saltam aos olhos, fazendo-me relembrar aquele filme premiado Dois Perdidos numa Noite Suja. E ainda existe cara-de-pau que declarou ser o aumento um modo de evitar fuga de cérebros do Congresso. Como as vergonhas de uma grande maioria já não existem, pode-se concluir que no Congresso Nacional ficaram os cérebros privilegiados da bandidagem parlamentar, artífices de primeira linha nas artes prometéicas, aquelas que patrocinam elevações de salário de parlamentar com chapéu alheio, o do povo brasileiro. Artes também denominadas no jargão político brasileiro da atualidade de severinagens.
A hora é de pensar alto: será que os trambiques e patacoadas praticados pelos políticos brasileiros não é o lado contrário da face da moeda eleitorado minoritário, que elege um digno Paulo Rubem Santiago, por exemplo? O outro lado, ampla maioria, é alienado, aloprado e sem responsabilidades, vendido a troco de poucos reais, que vota em cafajestes porque vítimas sempre foram de um caldo cultural que não cidadaniza, apenas trampoliniza os mais “ispertos” para postulações eleitorais de resultados garantidos.
Fico a imaginar se o país não sairia lucrando se houvesse uma remunicipalização nacional, com a fusão de municípios, no que resultaria numa redução grandiosa de despesas com salários e penduricalhos. Poderíamos ainda ter dois senadores por estado da federação e a redução de 1/3 da Câmara Federal, a proporcionalidade de cada unidade da federação acontecendo na razão direta do número de eleitores.
3. Na direção oposta da ojeriza sentida por fuxicos e indecências, a vitória do estudante Ricardo Hidemi Baba, 21 anos, no vestibular Fuvest, SP, amplia minhas esperanças, com os socialmente mais responsáveis, no futuro nacional. Em cadeira de rodas e com dificuldade de fala, com paralisia cerebral e já cirurgiado quatro vezes, Ricardo declarou: “acho que filosofia me ajudaria na carreira de ser escritor”. Uma inteligência a serviço da cultura brasileira, muito diferente daquele animal universitário que recentemente jogou um toco de cigarro acesso no colinho de bunda mostrado por aluna que se encontrava sentada com outros colegas, provocando nela queimaduras de segundo grau. Atitude que merece expulsão das lides universitárias, posto que o elemento só teria prontuário policial.
Uma crise torna-se saudável quando não se contenta em ser apenas uma crítica aos outros, mas quando se torna, muito oportunamente, um julgamento de si mesma. E isso somente advirá com mais capacitação, terra e saúde, melhor distribuição de renda e mais participação, no Brasil, dos severinos de maria, sem os disleriados que apenas desalavancam nosso desenvolvimento, usando a classificação do Jessier Quirino, esse poeta nordestino arretado de bom.

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