quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Hora de Reinventar-se

Nestes tempos de pós-modernidade, deixamos de lado os valores da FÉ e da RAZÃO, disputando nacos, olvidando a advertência do querido Dom Hélder Câmara, sempre amado arcebispo emérito de Olinda e Recife: "O Cristianismo que difundimos no Continente, atribuindo tudo a Deus e quase não apelando para a iniciativa e a responsabilidade do homem chamado, pelo Criador, a dominar a natureza, a completar a Criação, a conduzir a História, alimentou nas Massas latino-americanas um sentimento passivo, fatalista e mágico".
Está na hora de as Igrejas Cristãs, sem firulas nem fricotes, perseguirem uma auto-avaliação corajosa, descobrindo seus próprios pontos fracos, suas comunicações deficientes, oferecendo um serviço religioso que contemple as aspirações espirituais da nossa gente, num servir capaz de exprimir louvores, contemplações e adorações autenticadas pela palavra do Senhor da História, convencendo todos sem enganações nem baboseiras.
Aplaudo firmemente a indagação feita por Lucas 14,28: “Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?” O que talvez o apóstolo não avaliou na devida conta, os tempos eram bem outros, foi o agigantamento da cobiça na construção dessas torres, hoje também transmissoras, multiplicadoras de muitos milhões de dólares, advindos de idiotizados e desesperançados, que imaginam soluções mágicas para velhos e cruciantes problemas, solucionáveis todos, se percebermos melhor e mais eficazmente a Mensagem do Homão de Nazaré.
Juntemos sadias mentes cristãs, antes que seja tarde demais. Para conquistar os jovens, receber os descaminhados, compreendendo que o amanhã já chegado será muitíssimo diferenciado de um hoje que já se está indo embora em desabalada carreira. A palavra testemunhal ainda é do pe. Yves Congar, um dos teólogos que mais fizeram para restabelecer o diálogo entre as Igrejas e o mundo contemporâneo: “Diz-se que a Igreja não interessa mais a ninguém, que a maioria dos homens deixou de esperar dela algo que tenha o peso do real. Isso não é exato. Uma decepção dá a medida de uma esperança, um despeito a medida de um amor. Se não se esperasse mais nada da Igreja, não se falaria tanto dela...
Uma crise torna-se saudável quando muitos não se contentam em ser apenas uma crítica aos outros, mas quando se torna, muito oportunamente, um julgamento de si mesma. E isso somente advirá com mais capacitação, terra e saúde, melhor distribuição de renda e mais participação, no Brasil, dos severinos de maria, homenageados em Vida e Morte Severina, do pernambucaníssimo poeta João Cabral de Mello Neto.

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